O Recado da Pesquisa

reflexões filosóficas em diversas áreas


27 jul

Inversão Marxista do Conceito de Sociedade Civil em Hegel


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Em Marx, o conceito de sociedade civil inscreve-se na crítica a Hegel e aos seus neo-seguidores, com o objetivo de elaborar os fundamentos da sua própria concepção da realidade social. Nem por isso deixa de reconhecer como correto, de modo geral, o conceito desse filósofo alemão sobre sociedade civil. No Prefácio para a Crítica da Economia Política de 1857, Marx expressa ao mesmo tempo essa concordância e a crítica fundamental ao idealismo ao afirmar que, como para Hegel e os ingleses e os franceses do século XVIII as condições materiais de existência recebem o nome de sociedade civil, mas que, ao contrário dos idealistas, elas são o solo matrizador do todo social.

E escreve:

“A minha investigação desembocou no resultado de que as relações jurídicas, tal como as formas de Estado, não podem ser compreendidas a partir de si mesmas nem a partir do chamado desenvolvimento geral do espírito humano, mas enraízam-se, isso sim, nas relações materiais da vida, cuja totalidade, Hegel, na esteira dos ingleses e franceses do século XVIII, resume sob o nome de ‘sociedade civil‘, e de que a anatomia da sociedade civil se teria de procurar, porém, na economia política…1.”

Marx e Engels, Lenin e outros invertem o conceito de sociedade civil em Hegel. Para eles, a sociedade civil é o conjunto das relações econômicas (em última instância) constitutivas da base material. Na Ideologia alemã, Marx e Engels afirmam:

“A forma de intercâmbio, condicionada em todos os estádios históricos até os nossos dias pelas forças de produção existentes, e que por seu turno as condiciona, é a sociedade civil, a qual como se torna claro pelo que já foi dito, tem por premissa e base a família simples e a família composta, o chamado sistema tribal, cujas características marcantes mais precisas se encontram contidas em páginas precedentes. Já por aqui se revela que esta sociedade civil é o verdadeiro lar e teatro de toda a história, e que é absurda a concepção da história até hoje defendida que despreza as relações reais ao confinar-se às ações altissonantes de chefes e de Estados”2.

E quase repetindo:

“A sociedade civil compreende todo o intercâmbio material dos indivíduos numa determinada etapa do desenvolvimento das forças produtivas. Compreende toda a vida comercial e industrial de uma etapa, e nesta medida transcende o Estado e a nação, embora, por outro lado, tenha de se fazer valer em relação ao exterior como nacionalidade e de se articular como Estado em relação ao interior. O termo sociedade civil surgiu no século XVIII quando as relações de propriedade já se tinham desembaraçado da comunidade antiga e medieval. A sociedade civil como tal só se desenvolve com a burguesia…”3.

E sustenta:

“…havia a partir daí generalizado que, em geral, não é o Estado que condiciona e rege a sociedade civil( bürgerliche Gesellchaft), mas é a sociedade civil que (condiciona e rege) o Estado, que, por conseguinte, há que explicar a política e a sua história a partir das relações econômicas e do seu desenvolvimento, e não inversamente”4.

Marx fixa aqui um pressuposto fundamental. As condições materiais de existência constituem a matriz ontológica do todo social. O jurídico, o político, o ideológico são momentos – cada qual com um traço próprio, dialeticamente configurados -, mas nunca postos na condição fundante das relações materiais de existência.

Para o que nos interessa aqui, que é sociedade civil/sociedade política, isto significa que o princípio de sua inteligibilidade não se encontra no interior dela mesma, mas fora dela, o que, em absoluto, não lhe suprime a especificidade nem a importância e nem a reduz a mero efeito da economia, mas proíbe pensá-la, porque efetivamente não o é, como uma esfera autônoma, cujos relacionamentos com outras esferas seriam externos e fortuitos. Assim, nem o Estado, nem a política, nem o poder seriam inteligíveis sem as relações materiais das quais são a expressão e contribuem para cuja reprodução.

Estabelecido isto, é preciso dizer ainda que Marx toma como objeto de suas análises a sociedade civil na sua forma moderna, ou seja, como sociedade burguesa. Qual é, pois, a natureza da sociedade civil moderna? Fundada na propriedade privada regida pelo capital, ela é atravessada por conflitos radicais entre capital e trabalho, pela concorrência, pelos interesses privados, pela anarquia e pelo individualismo.

O surgimento e a natureza do Estado decorrem dessa mesma natureza da sociedade civil. Dilacerada pela contradição entre interesses gerais e particulares e não podendo resolvê-los ela própria, dá origem a uma esfera, com um aparato, com tarefas, com uma especificidade própria, mas cuja função fundamental seria a de solucionar essa contradição. Sua origem, porém, delimita-lhe precisamente os limites. Deste modo, solucionar a contradição não significa superá-la, porque isso está para além de suas possibilidades, mas antes administrá-la, suprimindo-a formalmente, mas conservando-a realmente, e deste modo contribuindo para reproduzi-la em benefício das classes mais poderosas da sociedade civil.

Contrariamente ao que pensava Hegel, o Estado não torna os indivíduos livres, mas apenas cria a ilusão da liberdade.

Por isso mesmo, a crítica de Marx a Bauer, na Questão Judaica, vai no sentido de mostrar que a emancipação política que consiste no desenvolvimento mais pleno da esfera política, no pleno exercício dos direitos dos cidadãos de todos os indivíduos não é, de modo algum, a etapa final da libertação do homem, ainda que a emancipação política represente um grande progresso 5. Isto por que ela não elimina, mas deixa intactos os ordenamentos da atual sociedade.

Vamos insistir um pouco nestas contraposições Marx/Hegel para entendermos a referida inversão do conceito de sociedade civil.

Ao redigir A Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, Marx contrapõe as teses daquele filósofo que coloca o Estado como aquela formação que dá unidade à sociedade civil. Marx inverte isto: é a sociedade civil que gera o Estado; não é o Estado que gera a sociedade civil. Hegel levava a reflexão no sentido de mostrar que a questão se resolvia, tornando o Estado perfeito. Como é que se torna o Estado perfeito para Hegel? Tornando-o racional. O Estado que seja uma encarnação da razão mais alta possível, de uma razão que tornou-se consciência de si própria, da razão absoluta. Qual será a crítica de Marx? O Estado racional é impossível, ou seja, Estado e razão efetiva são incompatíveis. Não constituem uma identidade, mas sim uma desidentidade.

Todos os sistemas de Filosofia Política, desde Platão até Hegel, são um esforço de reflexão no sentido de perfectibilidade do Estado, do poder. Não ocorre a nenhum desses grandes pensadores, a não ser como prenúncios pouco importantes6, como indicativos, como utopia, a eliminação da dominação. Contrapondo o existente ao representado, à razão política, Marx é original. Em vez de pensar a perfeição do Estado, ele declara sucessivamente a impossibilidade do Estado racional e a impossibilidade do homem livre com a presença do Estado. A filosofia política dele é, por consequência, não o Estado em si, mas a eliminação de toda e qualquer forma de dominação, inclusive, a política. Inverte a filosofia política radicalmente. Ele funda uma reflexão em que a tese central é o rompimento com a filosofia política, de Platão a Hegel, que é a perfectibilização do poder. Em Marx, é a concepção da dissolução de toda forma de poder, inclusive, o político, e de outras manifestações culturais, por meio da transformação social que se torna o grande objetivo.

Ainda n‘A Questão Judaica, Marx contrapõe a emancipação política à emancipação humana, mostrando que a emancipação política é algo restrito, limitado e que o objetivo fundamental, sem desprezo pela emancipação política, não é a emancipação política, puro instrumento da máquina estatal. A emancipação humana, vale dizer, a auto-edificação na infinitude da processualidade histórica do ser social, esta é a que importa. A partir da polêmica com Bruno Bauer, ele universaliza a questão: a emancipação humana é a universalização da emancipação, são todas as emancipações.

Notas:

1. MARX, K. e ENGELS. Obras Escolhidas, tradução de Álvaro Pina. Lisboa: Edições Avante, 1982. vol. I, 530p. Grifos meus.
2. Ibidem, 128 p. Grifos do original.
3. Ibidem, 71 p.
4. Ibidem, vol. III, 199 p.
5. MARX, K. A Questão Judaica. São Paulo: Editora Moraes, s/d. 28 p. Ler ainda nesta obra algumas referências sobre a temática da emancipação humana x emancipação política, 37 p., 72-73 p., 88 p.
6. Por exemplo, parece que n‘As Leis, Platão chega a seguinte fórmula: o Estado perfeito é impossível, porque a distribuição de riqueza é desigual; e a distribuição igual da riqueza é impossível.

Referências Bibliográficas:

BOBBIO, N. O Conceito de Sociedade Civil, Rio: Graal, s/d
BOBBIO, N. Estado, governo, sociedade – para uma teoria geral da política. 2a edição. Rio: Paz e Terra, 1987, 39-52 p
BOBBIO, N. Dicionário de Política, 2a edição. Brasília: UnB, 1986.
CHASIN, J. Democracia Política e Emancipação Humana in Ensaio, no 13, São Paulo: Ensaio, 1984.
LUKÁCS, G. Ontologia do Ser Social – a falsa e a verdadeira ontologia de Hegel. São Paulo: Livraria de Ciências Humanas, 1979.
MARCUSE, H. Razão e Revolução, tradução de Marília Barroso. 2ª edição, Rio: Paz e Terra, 1978
MARX, K. e ENGELS. Obras Escolhidas, tradução de Álvaro Pina. Lisboa: Edições Avante, 1982. vol. I, 530 p.
MARX, K. A Questão Judaica. São Paulo: Editora Moraes, s/d. 28 p.
MARX, K. A Ideologia alemã, 4a edição. São Paulo: HUCITEC, 1984.


12 jul

Software Livre e Inclusão Digital [Destaques de Leitura]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

“A questão do software livre é também uma questão de libertação nacional. E, se tiver coragem, o Brasil tem agora a chance de realizar uma grande campanha nacional de mobilização pró-liberdade digital, tornando-se assim referência mundial na luta pelo software livre – luta que todos os governos mundiais ainda terão de travar -, além de treinar nossa criatividade nesse sentido, pólo produtor de novos softwares – livres também, é claro – que poderão globalizar, no bom sentido, nossas conquistas libertárias”. (Hermano Viana)

“O movimento de Software livre é a maior expressão da imaginação dissidente de uma sociedade que busca mais do que a sua mercantilização. Trata-se de um movimento baseado no princípio do compartilhamento do conhecimento e na solidariedade praticada pela inteligência coletiva conectada na rede mundial de computadores”. (Sérgio Amadeu da Silveira)

“A desigualdade e a distância cada vez maior entre ricos e pobres precisa ser combatida com medidas de governo que dêem condições de superação da miséria. As diferenças podem ser ampliadas exponencialmente caso o combate à exclusão digital não se transforme em política pública. A questão social atingiu a dimensão tecnológica. O acesso às redes informacionais, a possibilidade de se comunicar velozmente e o domínio das tecnologias digitais devem se tornar necessariamente novos direitos sociais”. (João Cassino)

Leia mais: Software livre e inclusão digital. Organizadores: Sérgio Amadeu da Silveira e João Cassino. São Paulo: Conrad, 2003.


27 jun

Segredos do poder de sua consciência [Recados de Meditação]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

“Se você permitir, sua mente pode ser um trem desgovernado. Ela pode arrastar você para pensamentos do passado e depois para pensamentos do futuro, tomar maus pensamentos do passado e projetá-los em seu futuro. Esses pensamentos descontrolados também criam. Quando está consciente, você está no presente e sabe o que está pensando. Você assumiu o controle de seus pensamentos, e é ai que se encontra todo o seu poder”. (Charles Haanel)

“Eu me sinto. O que sinto em mim é o certo. Minha alma fala no que sinto e por ela me oriento. Eu não me perco e minha vida nunca caminha para o errado e sempre me leva para o meu melhor sem dor. Isso não é magia, não. É apenas atitudes.” (Gasparetto)

“E aquele segredo sentava-se entre nós todo tempo/como um convidado de máscara”. (Mário Quintana)

“Não sabemos o que fazer mas o coração vai-se apertando, cada hora, cada minuto mais. No começo fingimos achar graça, depois brincamos o indiferente, mas um dia o outro diz em tom casual: ‘Quero lhe avisar que estou mudando’.” (Lya Luft)

“Sempre que você fica com raiva de alguém, cria um mundo de palavras duras, reprovações, cólera, sofrimento. Perde a indulgência que tem por si mesmo”. (Pierre Levy)

“Eu vos disse isso, para que a minha alegria esteja em vós, e a vossa alegria seja completa”. (Jo, 15, 11)

“Os homens de meu planeta cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim, e não encontram o que procuram”. (Saint-Exupéry)

“Sinceramente, não sei como alguém estuda tanto e depois quer esquecer o povão […] todos são brasileiros”. (Lula)

“Não é justo e não contribui para o desenvolvimento do Brasil que os recursos minerais do país sejam daqui tirados e não haja a devida compensação. Essa compensação é condição para que nossas reservas naturais tenham um sentido, que não se concentrem na mão de poucos”. (Presidenta Dilma Rousselff)

“[...] o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, diabólico e simbólico. Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar. Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças. Por isso, nossa existência não é simples, mas complexa e dramática. Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce. Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes [...]”. (Leonardo Boff)


13 jun

Por que e o que é uma Filosofia da Medicina? [Estudos e Pesquisas em Bioética]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

O melhor médico é também um filósofo (Galeno).

Na discussão sobre bioética, a temática de equiparação entre o médico e o filósofo, da relação Medicina-filosofia, na integração de seus saberes, pode, talvez, suscitar algum questionamento importante, principalmente, quando, em nossos dias, a evolução dos aparatos médicos é tão grande, que temos, muitas vezes, vontade de superar a facticidade humana e instaurar um reino de utopias, de “preocupações e razões de esperança”, no qual, pela ajuda da técnica e do desenvolvimento científico, o homem possa desafiar a morte. Para isso contribuem, sem dúvida, as excentricidades que os meios de comunicação, todos os dias, veiculam, como também um desejo humano de prolongar a existência e superar a doença.

Não é nossa intenção, aqui, discutir a questão tal como ela se apresenta no senso comum da apreensão quotidiana, nem dar razão a um delírio humano romântico que chega às raias da (des) razão, mas, ao contrário, trazer uma contribuição para a história da bioética que, por sua vez, está ligada à história da Medicina e esta, à antropologia filosófica. Há, incontestavelmente, uma enorme curiosidade arraigada em nosso inconsciente, sobre a possibilidade da superação de nossos limites: uma nova esperança de vida. E uma determinada concepção de filosofia e de ciência fez uso desse lugar comum. Queremos mostrar aqui alguns momentos históricos da Medicina e, como tal, Medicina se liga ao conjunto de um saber filosófico que pressupunha um modelo bem concreto de homem e de moralidade. Enfim, pretendemos indicar a compreensão da Ética da Vida – Bioética, ou de sua negação, por uma “Medicina infalível” ou por uma filosofia inútil, sem razão e sem esperança, de uma ” bios sofia”, de um saber sem vida. Não é apenas uma “rede da vida” jogada, lançada só na ” bios sofia”, com base em teorias organicistas, mas Estudos e Pesquisas Integradas em Bioética: um novo paradigma da relação entre ciência e tecnologia.

A base da Medicina na Antiguidade era a doutrina de Hipócrates, somada à de Platão, à de Aristóteles e à de outros clássicos da sabedoria antiga. Os médicos da escola hipocrática tinham grande facilidade para o diagnóstico e chegaram a determinar importantes procedimentos da Medicina, como a enfermidade renal e a adenite dos órgãos peritoniais.

Escritor de talento extraordinário, Platão nos deixou, entre seus diálogos, o Banquete ou em grego, “Symposion”. Aqui, vemos uma rica aproximação da Filosofia com a Antropologia médica. No diálogo com o convidado Pausânias, Erisímaco toma a palavra e pensa a construção do saber filosófico integrado ao da Medicina. Expressa desta forma:

“Sim, há dois Eros. Médico, eu o sei, pois ele não se ocupa apenas dos corpos, mas também das almas. Médico, pois sei que Eros é mais vasto, que seu poder não se limita aos homens, mas estende seu império a todos os seres. O que é Eros? A harmonia e a união dos contrários, a atração ordenada dos corpos. Por isso, a Medicina – arte da amizade entre os humores e os elementos no corpo e na alma – é a primeira ciência do amor [...] Eros é a força cósmica, universal, que aplicada para o bem, nos traz a felicidade perfeita, a paz entre os homens e a benevolência dos deuses” Uma terceira figura clássica da Medicina antiga é Aristóteles, para quem, o problema do movimento é central, não só no que diz respeito à Física e à Metafísica, como também na análise do corpo humano. Na perspectiva aristotélica, o coração é a sede do movimento do corpo, a parte em que a alma comunica ao organismo a sensibilidade e o próprio movimento, a própria vida. O coração é o que se forma, por primeiro, no embrião, é o princípio da vida no sentido cronológico, lógico e ontológico. Nele, os seres vivos possuem um princípio vital formativo que justifica sua organização.”

Estude e Pesquise mais:
Platão. O Banquete, São Paulo: Abril Cultural, 1993, Coleção Os Pensadores.
Aristóteles. Ética a Nicômaco. São Paulo: Nova Cultural, 1987.


26 mai

Coisas da Vida [Recados de Meditação]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

As coisas da vida são irreversíveis. Serão assim com você? Medite.

Toda vez é uma primeira vez. O amado nunca parece um velho conhecido – ainda que seja. A sensação jamais é como as anteriores – mesmo que tenhamos amado muitas vezes [...] Por isso mesmo não há fase da vida para amar mais ou menos, com maior, ou menor intensidade ou verdade. Sempre reservamos, para um amor, para aquele amor, quando ele chega, um trecho de canção nunca ouvida, um pedaço de praia ainda por conhecer (Lya Luft).

Onde está você? Pare e medite o trecho a seguir. E se encontre.

Eu estou aqui, vivo a vida com seus desafios. Eu não sou coitada e nem vítima dessa situação. Eu solto e assumo minha coragem! Assumo minha vontade de ir e a necessidade de elevar me astral. Eu me alegro por falar o que quero. Por expressar meus sentimentos como são. Sim, eu posso me manter tranqüila, deixando que as pessoas cuidem de seus problemas e assumindo os meus. Eu poso me manter tranqüila não esperando nada de ninguém. Porque decido ter humor e não levar as coisas exageradamente a sério. Eu posso agir seriamente e sorrir sempre. Posso rir e jogar fora mágoas, tristezas e desilusões. Hum, que bom jogar fora as deslusões…Mais do que tudo isso, me aceito. Sou assim. Tenho uma série de defeitos e fraquezas. Mas é o que sou, é o jeito que sei fazer. Quero estar bem comigo. Os outros não fazem por mim. Eu me viro e vivo bem. Aconteça o que acontecer, eu me viro e vou arriscar (Gasparetto).

Cante a riqueza de suas emoções durante toda sua existência.

Neste exato momento, você pode começar a se sentir saudável, a se sentir próspero, a sentir o amor que o cerca, mesmo que ele não esteja lá. E então o universo corresponderá à natureza desse sentimento no seu âmago e se manifestará, porque é assim que você se sente (Michael Bernard Beckwith).

As Sábias condutas nos caminhos da vida. São os opostos pulsantes da vida.

Os orientais sabem mais sobre isso do que nós. Sabem que os opostos não são inimigos: são irmãos. Noite e dia, silêncio e música, repouso e movimento, riso e choro, calor e frio, sol e chuva, abraço e separação, chegada e partida: são os postos pulsantes que dão vida à vida. Vida e morte não são inimigas. São irmãs. Chega e despedida… Sem a frase que a encerra a canção não existiria. Sem a morte, a vida também não existiria, pois a vida é, precisamente, uma permanente despedida (Rubem Alves).


30 abr

Borboletas de Ana Cecília – Baile da transformação


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Em busca de saúde ocular, vou ao Centro Médico Prof. José Augusto Barreto – Av. Gonçalo Prado Rollemberg, 211 – Bairro São José – Aracaju/SE. Marco uma consulta com uma profissional de prevenção de doenças oculares e reabilitação visual. Aqui, vejo a luz se acender e brilhar fora e dentro de mim. Enxergo com o corpo e com a alma. Atento, percebo borboletas a se metamorfosearem no Consultório da oftalmologista Ana Cecília. Na sala de espera 709 e no seu Consultório, olho outros objetos, recheados de significados clínicos. Revelam uma forte espiritualidade, alinhada à “medicina de relação”. Demonstram a dimensão holística no cuidado com a saúde de seus pacientes. E sinto-me bem neste recinto, onde escuto músicas clássicas e assisto as borboletas bailando com a orquestra da transformação.

Assim, nessa casa de saúde ocular, ondas sonoras ecoam com instrumentos musicais de Johnn Sebastian Bach – “Eu te pertenço, senhor”. De repetente, observo as Borboletas daquela profissional a brincarem com as coisas da vida. São artistas desta clínica médica. Num jogo de luzes multicores, elas bailam por todos os recantos da sala. Bem mais alegres, escutam o som de outras músicas do mesmo gênero. No movimento dos braços de suas asas, tocam e dançam nas cordas musicais de Carl Orff, Jules Fréderic Massanet e Wolfgang Amadeus Mozart. E com essas bailarinas, descubro os segredos da admirável síntese do divino e da harmonia que reina nesse show musical. Hinos que sobem da humanidade até Deus. Transformam a cegueira em luz visível e de espírito. Atrai saúde para o corpo e a alma.

As borboletas, felizes no seu baile de metamorfose, sobrevoam os diversos objetos postados na sala de espera. Percebem um ambiente de espiritualidade oriental. E lembram a essência de toda vida espiritual que, segundo Dalai-Lama, é [...] a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano [...].

Curioso, observo mais borboletas. Desta vez, com suas asas, batem palmas com toques de amizade para com as águas de uma fonte, bem iluminada e localizada ao lado da porta do Consultório de Ana Cecília. Sábias, por natureza, elas se entre – olham e perguntam para o universo inteiro: “O Sol e a Terra são fontes de Vida”? E uma delas cochicha ao meu ouvido: “a luz emanada do Sol é simplesmente vida, nos dá energia e força para viver. O Sol ilumina nossa vida emanada de Deus”.

A postura dessas borboletas lembra a beleza das Praias do Litoral brasileiro. Enquanto caminhava nas areias e tomava banho de mar, a oftalmologista me chamou de “Peregrino da Praia de Atalaia”, onde me sinto bem, inserido na Natureza. Trabalho pela sua preservação. Ninguém pode atribuir algum mal a ela, quando na realidade é feito pelo próprio homem. Oferece uma carga nova capaz de renovar desde a menor célula até nosso corpo inteiro. Aqui, com as mesmas borboletas, aquele bater palmas ecoa em suas vidas como ondas sonoras do mar a tocarem nas cordas musicais das areias da praia. Cantamos e dançamos. Águas salgadas a comporem músicas de primeira qualidade. Juntos, praticamos hidroginástica. Cuidamos de nossa saúde.

Nesse clima de felicidade, as borboletas entoam hinos de louvor com palmas de amizade para os pacientes. Revelação do segredo de nascer e viver. Celebração da beleza e da alegria. Cada um de nós sente na pele que “água é vida”. A Natureza sopra ar para seus pulmões, oxigena seu cérebro, massageia sua coluna e navega por todo seu corpo-mente. Inspira e expira. E o sopro divino, diurnamente, entra e sai do seu corpo É a sabedoria divina do oxigênio na Terra. Respira. Vive. E Deus é vida.

Eis que surge uma borboleta muito especial. Ela nos abre a porta do seu Consultório. Borboletas, meditando em silencio, liam bilhetes clínicos com mensagens psicossomáticas. Enquanto isso, Drª Ana Cecília me examinava os olhos. Excelentes biotecnologias à disposição de seus clientes. Ela se veste da ética do biopoder com a saúde do ser humano.

A Borboleta Hortência, filósofa, lembra a dimensão holística de espiritualidade em Platão: “Da mesma forma que não pode curar os olhos sem a cabeça, ou a cabeça sem o corpo, também não se deve tentar curar o corpo sem a alma. Pois a parte nunca pode ficar boa se o todo não estiver bem”.

A Borboleta Orquídea, iluminista francesa, escolheu uma carta: Letre sur les Aveugles à l’Usage de Ceux qui Voient, escrita por Denis Diderot, em 1749 . Nela, o pensador iluminista retrata Saunderson, cego de nascimento, interrogado pelos políticos do seu tempo: - E o que são, em vosso parecer, os olhos? E o cego responde: - São um órgão sobre o qual o ar produz o efeito de minha bengala sobre minha mão […] Isso é tão certo que, quando coloco minha mão entre vossos olhos e um objeto, minha mão vos está presente, porém o objeto vos está ausente. A mesma coisa me acontece, quando procuro uma coisa com minha bengala e encontro uma outra.

Por sua vez, Borboleta Jasmim, doutora em Teologia, indica a leitura e a meditação com a mensagem espiritual do Evangelho de Jesus (Lucas, 18:35-43), curando o mendigo de Jericó.

Aquele filósofo grego, com o olhar da razão, via a totalidade das realidades do cosmos como aquele cego que, pelo ouvido, percebeu “o barulho da multidão que passava” ou pelo tato quando “Jesus parou e mandou que o trouxesse”.

O homem-Deus chamado Jesus, cheio de compaixão e ternura, confiança, doação, enternecimento, conquista a experiência espiritual de sentir-se Filho de Deus, de afeto e de extrema intimidade para com a saúde integral daquele mendigo cego que nesse momento viu seu médico, observou a multidão e as belezas da Natureza. Sua alma não dói mais. Agora, ouvia e via. Sentiu-se feliz e vivo. E enxerga tudo. Que emoções transformadoras de vida. O cego descobriu seu próprio corpo e encontrou o caminho espiritual.

Enquanto isso, a última Borboleta Margarida pensa e curte a mensagem de Rubem Alves: “Afirmar que a vida tem sentido é propor a fantástica hipótese de que o universo vibra com nossos sentimentos, sofre a dor dos torturados, chora a lágrima dos abandonados, sorri com as crianças que brincam. Tudo está ligado. Convicção de que, por detrás das coisas visíveis, há um rosto invisível que sorri, presença amiga, braços que abraçam, como na famosa tela de Salvador Dali. E é essa crença que explica os sacrifícios que se oferecem nos altares e as preces que se balbuciam na solidão”.

Nesse espaço agradável, descobri a dimensão holística da espiritualidade profissional vivida pela Drª Ana Cecília. Exprime a ética do cuidado para com a saúde integral do homem. É artista clínica, capaz de ver nos seres da natureza e das culturas, do corpo e da alma como as maiores riquezas da saúde do espírito do homem. É sua espiritualidade, sua transformação interior.

E mais. Filósofo, testemunho que o olhar dessa profissional – enquanto examinava os meus olhos de 72 anos -, se envolvia com questões existenciais: a dor e o sofrimento humanos não apenas dor física, mas a mental, social e espiritual. O ser humano como um todo, um nó de relações. É corpo. É alma. É profissional. Ama e sofre. É a mulher-Médica. Oftalmologista, ela diagnostica bem com as biotecnologias disponíveis em seu Consultório.

Fiquei curado por Ana Cecília e suas borboletas. Seres inteligentes esses, capazes de transformar a doença em saúde. E Enxergo bem melhor a escrita de Hipócrates: “Penso que o melhor médico, é aquele que tem a sabedoria de falar com os pacientes, segundo o seu conhecimento, da situação do momento; do que aconteceu antes e do que acontecerá no futuro”.

Para não concluir, provoco um debate com os visitantes de meu site, nestes termos: É necessário um novo modelo de empresa terapêutica, uma “medicina de relação”, antes da medicina de órgãos, que recupere a totalidade do ser humano e considere o paciente como pessoa na unidade de todas as suas dimensões. É nesta “aliança terapêutica” entre profissionais de saúde e pacientes, que pode animar uma nova cultura da saúde que evite a “coisificação” dos enfermos e a perda da humanidade na arte clínica.


26 abr

Hegel e seu conceito de sociedade civil


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Ainda que possam encontrar sensíveis diferenças e até oposições entre autores como Hobbes, Locke, Kant, Rousseau, inclusive o próprio Hegel, todos eles, ao procurarem explicar o surgimento da sociedade atual, partem da mesma dicotomia: estado de natureza versus estado de sociedade. Para eles, em geral, a origem do Estado e/ou da sociedade está num contrato: os homens viveriam naturalmente, sem poder e sem organização que somente surgiriam depois de um pacto firmado por eles, estabelecendo as regras do convívio social e de subordinação política.

No modelo jusnaturalista e de toda uma tradição justificadora do poder, o Estado é a antítese do estado de natureza3 da “societas naturalis” constituída por indivíduos hipoteticamente livres e iguais. O homem encontrava-se numa situação primitiva, regido unicamente por leis naturais, sem autoridade, sem governo e sem outras normas que aquelas ditadas pela satisfação das necessidades imediatas.

No entanto, surgem inúmeros conflitos que ameaçavam a paz, a segurança, a liberdade e a propriedade dos indivíduos que viviam nesse estado, tornaram imperioso o estabelecimento de um pacto pelo qual, alienando cada um a sua liberdade irrestrita, criava-se um conjunto de instrumentos capazes de impedir a guerra generalizada, e garantir de forma mais adequada os interesses de cada um. Surgia assim o Estado, com seu aparato jurídico, político e administrativo, oriundo do consenso dos indivíduos e com a finalidade bem definida de assegurar o livre exercício dos direitos naturais desses mesmos indivíduos.

Assim, por exemplo, o estado de natureza, segundo Hobbes, é a guerra de todos contra todos, uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. E mais, pensa Hobbes, assim:

“Toda sociedade civil é exatamente esta guerra (do homem contra os homens), um contra o outro, de todos os indivíduos, agora isolados um do outro apenas pela sua individualidade, e é o movimento geral, desenfreado, das potências elementares da vida livre das cadeias de privilégios”.

Deste modo, passavam os homens, do estado de natureza para o estado da sociedade. Não importa aqui o fato de que cada autor interpreta de forma diferente tanto o estado de natureza, quanto as etapas de constituição e o sentido positivo ou negativo do estado de sociedade. Importa o reconhecimento de que, como diz Kant:

“o homem deve sair do estado de natureza, no qual cada um segue os caprichos da própria fantasia, para unir-se com todos os outros… e submeter-se a uma pressão externa publicamente legal…,quer dizer, que cada um deve, antes de qualquer outra coisa, entrar num estado civil.”

Sociedade civil, portanto, aqui se opõe a sociedade natural, recobrindo tanto o conteúdo da sociedade política, isto é, um estado regido por normas às quais todos se submetem voluntariamente e no qual existem determinadas instituições encarregadas de velar pelo seu cumprimento.

Com Hegel o conceito de sociedade civil sofre uma grande modificação. Segundo ele, equivocam-se os jusnaturalistas ao verem no Estado o resultado do consenso dos indivíduos. Pelo contrário, o Estado é o momento superior de racionalidade, que se impõe mesmo contra a vontade dos indivíduos, porque só ele pode fazer ascender a massa informe e anárquica da sociedade civil a um nível superior de existência que é a sociedade política, ou Estado.

Para Hegel, a sociedade civil (Bürgerlíche Gessollchfat) é o momento que sucede à família como lugar de satisfação das necessidades. Da dissolução da unidade familiar surgem as classes sociais e a multiplicidade de oposições entre diferentes grupos, todos eles tendo por base os interesses econômicos. Na medida em que cada um desses grupos tem por objetivo principal a defesa dos seus interesses, a tendência é estabelecer-se uma anarquia generalizada, um bellum omnium contra omnes, que põe em perigo a própria sobrevivência da sociedade. A necessidade do Estado como princípio superior de ordenamento racional põe-se exatamente porque a sociedade civil, por si mesma, não tem condições de superar este estado de anarquia. Observa Marcuse:

“… a sociedade civil se integra com o Estado. Hegel discute a forma política desta sociedade sob a tutela da ‘Constituição’. A lei (gelsetz) transforma a totalidade cega das relações de troca na máquina conscientemente regulada pelo estado…”.

O Estado representa, pois, um momento superior da existência social – …a totalidade desenvolvida em si desta conexão é o Estado, como sociedade civil, ou como Estado externo – uma que nele o interesse geral prevalece sobre os interesses particulares. O Estado é a substância ética consciente de si, a reunião do princípio da família e da sociedade civil. Esta é a tese básica de Hegel: não é a sociedade civil que funda o Estado, mas é o Estado que funda a sociedade civil, porém agora como a sociedade política regida pelo princípio da universalidade.

Hegel concebe o Estado como fim-imanente e coloca a sociedade, numa relação de subordinação e dependência em relação a ele. A sociedade civil e a família aparecem, em Hegel, como fundo natural em que se ascende a luz do Estado, um Estado como totalidade ideal, infinito, auto-suficiente; enquanto isso, a sociedade civil aparece como a finitude do Estado, não como finitude real a ser mediada, mas como finitude da idéia, ideell, em oposição ao momento da objetividade, des objekts, presente no Estado. Como reino da necessidade e do entendimento, na sociedade civil, os indivíduos acreditam realizar sua liberdade individual e subjetiva; trabalham, trocam, celebram contratos, mas de tal maneira que supõem trabalhar, produzir e trocar por conta própria, como se a vontade individual fosse a vontade racional em si e por si.

Esse conceito de sociedade civil em Hegel, momento de formação do Estado, vai ser invertido na interpretação de Marx, onde a sociedade civil passa a significar o conjunto das relações inter-individuais que estão fora ou antes do Estado, e ainda, como o conjunto das relações econômicas constitutivas de base material. É o que tentaremos fazer a seguir, confrontando Marx com Hegel.

Notas:

1. HOBBES, Leviatã, cap. XIII, 74 p.
2. Ibidem, p.76.
3. Recomenda-se a leitura de MARCUSE, H. Op. cit. 1a Parte Os fundamentos da filosofia de Hegel. 17-228, p.
4. Tentamos aqui nos aproximar do termo “conceito” no sentido hegeliano, como natureza ou essência do objeto em questão e sua realização efetiva na existência concreta. O conceito, então, representa, na visão de Hegel, a forma real do objeto, pois o concreto nos revela a verdade sobre o processo que, no mundo objetivo, é cego e contingente. N‘A Ciência da Lógica, Hegel designa o conceito como a unidade do universal e do particular, e como o reino da subjetividade e da liberdade.
5. Sugere-se a leitura de MARCUSE, H. Estudo sobre a autoridade e a família, in Idéias sobre uma Teoria crítica da sociedade, tradução de Fausto Guimarães, Rio: Zahar,1972. 99-114 p.
6. MARCUSE, H. Razão e …85 p. Grifos meus.
7. Tentamos aqui nos aproximar do termo “conceito” no sentido hegeliano, como natureza ou essência do objeto em questão e sua realização efetiva na existência concreta. O conceito, então, representa, na visão de Hegel, a forma real do objeto, pois o concreto nos revela a verdade sobre o processo que, no mundo objetivo, é cego e contingente. N‘A Ciência da Lógica, Hegel designa o conceito como a unidade do universal e do particular, e como o reino da subjetividade e da liberdade.
8. Sugere-se a leitura de MARCUSE, H. Estudo sobre a autoridade e a família, in Idéias sobre uma Teoria crítica da sociedade, tradução de Fausto Guimarães, Rio: Zahar,1972. 99-114 p.
9. MARCUSE, H. Razão e …85 p. Grifos meus.

Referências Bibliográficas

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BOBBIO, N. Estado, governo, sociedade – para uma teoria geral da política. 2a edição. Rio: Paz e Terra, 1987, 39-52 p
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LUKÁCS, G. Ontologia do Ser Social – a falsa e a verdadeira ontologia de Hegel. São Paulo: Livraria de Ciências Humanas, 1979.
MARCUSE, H. Razão e Revolução, tradução de Marília Barroso. 2ª edição, Rio: Paz e Terra, 1978
MARX, K. e ENGELS. Obras Escolhidas , tradução de Álvaro Pina. Lisboa: Edições Avante, 1982. vol. I, 530 p.
MARX, K. A Questão Judaica. São Paulo: Editora Moraes, s/d. 28 p.MARX, K. A Ideologia alemã, 4a edição. São Paulo: HUCITEC, 1984.


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