O Recado da Pesquisa

reflexões filosóficas em diversas áreas


31 dez

Por uma Nova Celebração do Ano 2012: Segredos de convivência entre os humanos


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Com seu livre arbítrio, você encontrará, aqui, alguns instantes de se viver bem.  Bem-Vindo à arte de ler, falar, ouvir e escutar os segredos da convivência entre os humanos. De modo especial, a equipe do Recado de Pesquisa deseja para você um Feliz Ano Novo 2012

Você já percebeu que as organizações religiosas seguem regras – somente preceitos de um livro sagrado e ideologias deformadoras de seus dogmas e bulas institucionais? -, enquanto isso, a espiritualidade é divina, sem regras, busca o sagrado em todos os livros, inclusive nas escritas antigas.  Celebre seu Ano Novo, com novos caminhos de vida (Francisco Andrade).
“A arte de escutar é como uma luz que dissipa a escuridão da ignorância. Se você é capaz de manter sua mente constantemente rica através da arte de escutar, não tem o que temer. Este tipo de riqueza jamais lhe será tomado. Essa é a maior das riquezas” (Dalai-Lama).

 

Escute Rubem Alves, teólogo e filósofo, na arte de orar:

“Muitas orações são produtos da insensatez das pessoas. Acham que o universo seria melhor se Deus ouvisse os seus conselhos. Pedem que Deus lhes dê pássaros engaiolados, muitos pássaros. Nisso protestantes e católicos são iguais. Tagarelam. E não se dão trabalho de ouvir. Não sabem que a oração é só um gemido. “Suspiro da criatura oprimida”: haverá definição mais bonita? São palavras de Marx. Suspiro: gemido sem palavras que espera ouvir a música divina, a música que, se ouvida, nos traria alegria”.

 

Feliz Ano Novo 2012! Escute também a voz da espiritualidade bíblica, em Isaias (Isaias, 58.8) E medite.

“Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante da tua face, e a glória do Senhor será a tua retaguarda”.

 

Leia e escute o bilhete bíblico do profeta Amós. Pare e pense nisso:

“Eu detesto e rejeito as vossas festas, e não gosto de vossas reuniões festivas. Será  questão de Me oferecerdes holocaustos? As vossas oblações não têm a minha aceitação, e vossos sacrifícios de bezerros gordos não atraem a minha atenção. Afasta longe de Mim o barulho de teus cânticos e que Eu não ouça o som de tuas harpas! Mas que o direito corra como as águas, e a justiça, como o rio que nunca seca”

Fonte: Bíblia. Edições Loyola, São Paulo, 1993. Amós 5, 21 – 24; 4,7; 5, 14 – 15; 3, 3- 5.

 

Neste Ano 2012, compartilhe comigo hinos de louvores a Deus ou Natureza, assim:

A Natureza é minha melhor amiga. Ela ou Deus é revelação do segredo de nascer e viver. Celebração da beleza e da alegria. Cada um dos humanos sente na pele que “água é vida”. A Natureza sopra ar para seus pulmões, oxigena seus cérebros, massageia suas colunas e navega por todo nosso corpo-mente. Inspira e expira. E o sopro divino, diurnamente, entra e sai do meu e do seu corpo É a sabedoria divina do oxigênio na Terra. Respira. Vive. E Deus é vida (Francisco Andrade).

 

Você finge ser o que é? Neste Novo Ano 2012, sincronize sua vida com Sérgio Britto.

Epitáfio

Sérgio Britto/Titãs

 

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais e até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar…

Devia ter complicado menos, trabalhado menos
Ter visto o sol se pôr.

 


20 dez

Natal de 2011 – Onde eu estou? E Você?


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Dedico estes instantes de meditação, de modo especial, a minha esposa, aos filhos, noras e netos. Igualmente, ofereço aos amigos e amigas do GEAP/Aeróbica/Aracaju/SE;  e a todos os internautas visitantes do meu sítio.  

Eu estou aqui e agora. Tempo de rituais natalinos. Falo de Deus, falo de mim mesmo. A sabedoria antiga já anunciava. No princípio era Deus e se tornou carne. Verbo, brotado do casal José e Maria. De Severina e Raimundo. De tantos outros seres do Universo, nascidos do Eros Divino. E você?  O Recado da Pesquisa indica novas trilhas na celebração de Natal 2011. Se você quiser, juntos descobriremos caminhos possíveis que nos conduzem até a presença da vida divina em mim e, quem sabe, em você. Bem-vindo a esta nova celebração de um Feliz Natal 2011.

 

Trilha um -“Meditação: reduz a ansiedade, torna a respiração equilibrada e profunda e melhora a oxigenação. e a freqüência cardíaca. Escolha um ambiente tranqüilo, sem distrações, e sente-se com postura ereta, fechando os olhos. Expire todo ar pela boca, livrando-se de qualquer preocupação, e inspire, fazendo com que sua barriga cresça. Expire o ar suavemente, procurando deixar a mente livre de qualquer pensamento. Concentre-se apenas na respiração.

Nesse momento o corpo e a mente entram em sintonia em um estado de profundo relaxamento. Quando sentir-se preparada, abra os olhos; e lembre-se daquele lugar de paz e calmaria que reside dentro de cada um de nós” (Flávia Figueiredo).

 

Trilha dois – Boa noite de sono: durante o sono nosso corpo produz melatonina, o hormônio que prepara e induz ao sono. Para uma boa produção de melatonina, durma sempre em ambientes escuros. Antes do  repouso evite alimentos estimulantes, como café, chocolate e álcool, que inibem a produção do hormônio. Para alívio da tensão, prefira chás de camomila, melissa ou maracujá”(idem).

 

Trilha três – Com Rubem Alves, descubra  O infinito na palma de sua mão.  Se você quiser, siga os caminhos possíveis, indicados pelo autor com a beleza dos poemas. Deus é uma criança.

[...] O Natal, antes de ter acontecido em Belém, se formou no coração de Deus. O Natal nasceu da tristeza de Deus. Ele olhou para os homens e os viu tão perdidos, tão loucos, tão fora do caminho: “Andavam desgarrados como ovelhas, sem saber que caminho tomar” (Is 53,6).

[...] Mais que festa, o Natal é ritual. Os rituais são repetições de um passado perdido, para o qual gostaríamos de voltar. Eles nos reconduzem às fontes donde brotam as águas da vida.

[...] Para isso aconteceu o Natal. Já que os homens não percebiam com os olhos da alma, quem sabe perceberiam com os olhos do corpo? Deus, então, se deu aos olhos dos adultos. E o que eles viram foi o assombroso, o espantoso, o jamais pensado, o insólito, o escandaloso. Deus é uma criança.

[...] Para quem quer um Deus assim, o Natal é uma decepção. O nenezinho não é gênio poderoso de garrafa. É uma criancinha fraca e sem defesa. José e Maria até tiveram de fugir para o Egito, para escapar de um adulto sanguinário que queria matá-la. Se ele fosse gênio de garrafa, com um simples piscar de olhos transformaria Herodes num gafanhoto.

[...] Aí eu entendi: Natal não é festa para crianças. Elas já sabem que Deus é criança. É festa delas para os adultos. São os adultos que estão perdidos. Por isso eu sugiro que no Natal as crianças façam coisa que nunca fizeram: que elas dêem brinquedos como presentes para os seus pais, mesmo que sejam brinquedos velhos. Ai – quem sabe -, o milagr

e acontece. Os adultos viram crianças de novo; e os filhos ganham então o melhor de todos os presentes, companheiros de brinquedos”

 

Deus Menino é a expressão da arte de viver como criança igual a todas as outras.

No céu era tudo falso, tudo em desacordo. No céu tinha que estar sempre sério. [...] A mim ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar a para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente tem na mão. E olha devagar para elas (Alberto Caeiro).

 

Escute as sábias palavras da escrita antiga. Elas nos animam:

“O coração alegre aformoseia o rosto, mas com a tristeza do coração o espírito se abate” (Provérbios de Salomão, cap. 15, verso 13).

……..

“O ânimo sereno é a vida do corpo, mas a inveja é a podridão dos ossos”. (Prov. 14.30)

 

Neste Natal, homenageie a mãe de Jesus com Paula Fernandes em “Ave-maria Natureza”.

Ave Maria
mãe das estrelas, mãe do céu.
Alma doce da natureza

Oh seiva viva que nutre esse chão
dá tua luz a tudo que vive e respira
leva a dor do coração.

Oh doce mãe estende teu manto
pra essa terra que tanto precisa de ti
transforma os corações dos homens
pra que o paraíso aconteça aqui.
Santa Maria.

 

Fonte da imagem


08 dez

Respeito pelo outro


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Mais um convite ao diálogo de estudos e pesquisas em Filosofia integrada com a Teologia. Aqui, em negrito, provoco o debate com meus amigos internautas. Estaríamos no Ágora da liberdade de pensar assim? De falso moralismo ou de verdades de Filosofia e Teologia políticas?

 

Até onde vai o desrespeito ao Homem e à Natureza, criados à imagem e semelhança de Deus? Leonardo Boff abre o diálogo filosófico-teológico, nestes termos:

“Sabemos que uma sociedade só se constrói e dá um salto para relações minimamente humanas quando instaura o respeito de uns para com os outros. O respeito, como o mostrou bem Winnicott, nasce no seio da família, especialmente da figura do pai, responsável pela passagem do mundo do eu para o mundo dos outros que emergem como o primeiro limite a ser respeitado. Um dos critérios de uma cultura é o grau de respeito e de auto-limitação que seus membros se impõem e observam. Surge, então, a justa medida, sinônimo de justiça. Rompidos os limites, vigora o desrespeito e a imposição sobre os demais. Respeito supõe reconhecer o outro como outro e seu valor intrínseco seja pessoas ou qualquer outro ser (Leonardo Boff).

Citando o médico e teólogo, Albert Schweitzer (1875-1965), Boff confirma:

“O que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos, mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum sentido. O que importa mesmo é, tornar-se um simples ser humano que, no espírito de Jesus, faz alguma coisa, por pequena que seja”.

No meio de seus afazeres de médico, encontrou tempo para escrever. Seu principal livro é: “Respeito diante da vida”, que ele colocou como o eixo articulador de toda ética. “O bem”, diz ele, “consiste em respeitar, conservar e elevar a vida até o seu máximo valor; o mal, em desrespeitar, destruir e impedir a vida de se desenvolver”. E conclui: “quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive” (Boff).

E existem outros caminhos de se crer em Deus? Crimes políticos e econômicos de religiões organizadas são práticas de Jesus há dois mil e dez anos e de outros poderes sacros nos dias de hoje? Assim, quando é quando é possível buscar Deus sem religião?

“A raça humana experimentou uma longa história de matança por causa dos interesses políticos e econômicos de religiões organizadas. O uso de Deus para santificar conflitos sobre a terra e a soberania, que começaram em tempos bíblicos, continuou com a conquista da Arábia por Maomé, a invasão de Genghis Klan da Magnólia, as Cruzadas, a Inquisição, as guerras Francesas de Religião e a fixação da América colonial. Desde então, os monarcas, os generais e os papas, perdoaram a brutalidade por meio de decreto divino, se servisse aos seus interesses. Também, líderes religiosos rezaram pela vitória militar e raramente defenderam a nocividade social da guerra interrogativa, enquanto casas de adoração, antecipando recompensas financeiras do conflito armado, falaram repetidamente em promover benevolência e paz na Terra. Orientada por ambições políticas e econômicas, as religiões organizadas continuam subvertendo os princípios éticos e defendendo a violência em nome de Deus-uma contradição óbvia” (Sankara Saranam).


18 nov

Marx – Crítica das Ideologias Políticas


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Na dissertação de Mestrado, nos anos 1979-1981, na UFMG, atingi os objetivos de minha pesquisa sobre Igreja e Ideologias na América Latina. Com base na Filosofia Política – teoria e práxis -, abordei o tipo de reflexão que se coloca sobre a “crítica das ideologias”.

Na história da crítica das ideologias é possível observar, em geral, duas modalidades metodológicas de crítica bem diferente. Numa primeira linha de combate se alinha a crítica de Marx às ideologias. É a crítica científico-revolucionária, produzida à luz da História contra a burguesia em todas as suas instâncias. Não houve espaço, aqui, para um estudo e pesquisa completos dessa filosofia alemã. Limitei-me apenas a alguns tópicos que Marx utiliza na crítica da ideologia burguesa, não nos esquecendo da importância que tiveram os escritos nos quais critica Hegel: Crítica à filosofia do Estado de Hegel (1843); Crítica da dialética hegeliana e da filosofia e da filosofia em geral (último capítulo dos Manuscritos econômico-filosóficos (1843-45); a mesma significação tem A Sagrada Família (1849) e A ideologia alemã (1845-46), onde Marx e Engels desenvolvem sua crítica à filosofia alemã pós-heliana.

E, no outro lado da arena, arma-se a crítica hermenêutica de Paul Ricoeur e outros. Exemplos desta crítica são as análises deste filósofo francês em seu escrito Interpretação e ideologias. Nesta obra e em sua experiência filosófica, assumiu a perspectiva hermenêutica pela compreensão de sentido da linguagem. Pela explicitação do horizonte da criatividade cultural e pela interpretação da palavra d passado, revivida no presente e projetada no futuro.

Por enquanto, começo por Marx (1818). Ele tem sua proposta de crítica das ideologias. Propõe uma metodologia cuja dimensão crítica seja objetivamente demonstrável, visando abandonar o terreno da tradição metafísica. Diz ele:

“As premissas do que partimos não constituem bases arbitrárias, nem dogmas; são antes bases reais de que só é possível abstrair no âmbito da imaginação. As nossas premissas são os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições materiais de existência, quer se trate daquelas que encontraram já elaboradas, como também aquelas que nasceram de sua própria ação. Estas bases são portanto verificáveis por vias puramente empíricas”.

Os “jovens hegelianos” ou “hegelianos de esquerda” possuíam como posição filosófica geral, comum, a crença de que são os pensamentos e os conceitos os fatores determinantes ou fundamentais da vida social. Defendiam o primado da idéia com relação à existência, atribuindo-lhe um caráter incondicionado ou, o que dá no mesmo, uma autonomia plena, absoluta. Desejava inaugurar um pensamento que, ao mesmo tempo, possuísse uma racionalidade dialética, porém constituísse um real avanço com referência à postura filosófica de Hegel.

De outro, a dialética de Marx não é uma simples negação, uma negação que elimina e afasta o negado, sendo desta forma uma mera inversão. Não, a dialética de Marx não a é a lógica de Hegel, onde a razão se afirma e se propõe, onde o homem livre se determina, onde a razão se exterioriza pela ação do homem. Ela produz um duplo movimento, simultâneo, de negação e afirmação. Noutros termos, ela é uma negação – que – conserva o negado para afirmá-lo em noutro nível.

Com essa nova filosofia dialética e com esse novo método esboçado nas páginas de A ideologia alemã que Marx procura demonstrar o caráter ilusório de uma revolução. Seu autor enfrentou e desafiou criticamente, com uma ruptura epistemológica, a escola filosófica neo-hegeliana. Descobriu nela o pensamento idealista sem poder superar as contradições reais.


10 nov

Tecnologias da Comunicação nos Dias de Hoje


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Vivemos, hoje, no mundo das tecnologias da inteligência. Surgem novos caminhos de comunicação à distância. O Recado da Pesquisa apresenta alguns destaques de leitura e em benefício de quem interessar possa. Pense nisso:

“Ao mesmo tempo em que se deve mobilizar tudo o que as ciências humanas clássicas têm a dizer sobre as artes, as ciências, a comunicação e a cultura, a ecologia cognitiva deve recorrer à tecnologia das ciências, da cultura, etc. Efetivamente, as conexões, os nós, os trocadores e os operadores da grande rede cosmopolita em que se inscrevem as civilizações não são apenas pessoas mas também obras de arte [...]

Se colocarmos a ênfase na tecnologia, foi para devolver a inteligência as coisas, que por muito tempo foram mantidas à distância. Não se trata, de forma alguma, de acreditar que a “técnica” como um todo (como a apalavra se designasse uma entidade real e homogênea) “determina”, ou funda, ou forma a “infra-estrutura” do que quer que seja. Quando tentamos compreender como pensam e sonham os coletivos, estaríamos antes diante do sistemas ecológicos, em reorganização permanente e povoados por inúmeros atores” (Pierre Lévy).

“Podemos pensar também a estética como aquilo que põe em relação, que proporciona a catarse pelo prazer compartilhado, pela comunicação. Com as novas tecnologias, a estética, como compartilhamento, Vê-se radicalizada. Assim, a definição de Simmel sobre a moda pode ser muito bem aplicada à técnica. A cultura técnica contemporânea seria então uma solução particular do conflito entre o sujeito e o objeto, entre a tecnologia que escraviza e o social que rege. A cibercultura é o resultado desse processo no campo da tecnologia contemporânea” (André Lemos).


30 out

Você se encontra sozinho?


por Francisco Antônio de Andrade Filho

Nesta página do Recado da Pesquisa, você, feliz, encontra alguns instantes de se viver bem. Bem-Vindo à Meditação. Pense nisso.

Um convite à sincronia com o outro. É possível?

O universo é um milagre maior do que somos capazes de imaginar. É tão maravilhosamente planejado que a qualquer momento todos recebemos as lições de que necessitamos dos outros participantes de nossa vida (Andrew Matthews).

Contradições da vida. Poderes científicos e espirituais, com ou sem ética? São possíveis?

Os meios pelos quais vivemos se distanciaram dos fins para os quais vivemos. Nosso poder científico ultrapassa nosso poder espiritual. Encaminhamos mísseis e descaminhamos homens (Martin Luther King).

Diferenças entre Religião e Espiritualidade

A religião não é apenas uma, são centenas.
A espiritualidade é apenas uma.
A religião é para os que dormem.
A espiritualidade é para os que estão despertos.

A religião é para aqueles que necessitam que alguém lhes diga o que fazer e querem ser guiados.
A espiritualidade é para os que prestam atenção à sua Voz Interior.
A religião tem um conjunto de regras dogmáticas.
A espiritualidade te convida a raciocinar sobre tudo, a questionar tudo.

A religião ameaça e amedronta.
A espiritualidade lhe dá Paz Interior.
A religião fala de pecado e de culpa.
A espiritualidade lhe diz: "aprenda com o erro".

A religião reprime tudo, te faz falso.
A espiritualidade transcende tudo, te faz verdadeiro!
A religião não é Deus.
A espiritualidade é Tudo e, portanto é Deus.

A religião inventa.
A espiritualidade descobre.
A religião não indaga nem questiona.
A espiritualidade questiona tudo.

A religião é humana, é uma organização com regras.
A espiritualidade é Divina, sem regras.
A religião é causa de divisões.
A espiritualidade é causa de União.

A religião lhe busca para que acredite.
A espiritualidade você tem que buscá-la.
A religião segue os preceitos de um livro sagrado.
A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros.

A religião se alimenta do medo.
A espiritualidade se alimenta na Confiança e na Fé.
A religião faz viver no pensamento.
A espiritualidade faz Viver na Consciência.

A religião se ocupa com fazer.
A espiritualidade se ocupa com Ser.
A religião alimenta o ego.
A espiritualidade nos faz Transcender.

A religião nos faz renunciar ao mundo.
A espiritualidade nos faz viver em Deus, não renunciar a Ele.
A religião é adoração.
A espiritualidade é Meditação.

A religião sonha com a glória e com o paraíso.
A espiritualidade nos faz viver a glória e o paraíso aqui e agora.
A religião vive no passado e no futuro.
A espiritualidade vive no presente.

A religião enclausura nossa memória.
A espiritualidade liberta nossa Consciência.
A religião crê na vida eterna.
A espiritualidade nos faz consciente da vida eterna.

A religião promete para depois da morte.
A espiritualidade é encontrar Deus em Nosso Interior durante a vida.

(autor desconhecido)


18 out

Leonardo Boff: Um elogio ao Padre José Comblin [Destaques de Leitura]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

No dia 27 de março morreu aos 88 anos de idade perto de Salvador o teólogo da libertação José Comblin. Belga de nascimento, optou por trabalhar na América Latina, pois se dava conta de que o Cristianismo europeu era crepuscular e via em nosso Subcontinente espaço para a criatividade e um novo ensaio da fé cristã articulada com a cultura popular. Ele encarnava o novo modo de fazer teologia, inaugurado pela Teologia da Libertação, que é ter um pé na miséria e outro na academia. Ou dito de outro modo: articular o grito do oprimido com a fé libertadora da mensagem de Jesus, partindo sempre da realidade contraditória e não de doutrinas e buscar coletivamente uma saída libertadora a partir do povo.

Ele é um dos melhores representantes do novo tipo de intelectual que caracteriza os teólogos da libertação e dos agentes de pastoral que estão nesta caminhada: operar a troca de saberes, vale dizer, tomar a sério o saber popular, “de experiências feito”, banhado de suor e sangue mas rico em sabedoria e articulá-lo com o saber acadêmico, crítico e comprometido com as transformações sociais. Essa troca enriquece a uns e a outros. O intelectual repassa ao povo um saber que o ajuda avançar e o povo obriga o intelectual a pensar os problemas candentes e se enraizar no processo histórico. A Intelligentzia acadêmica possui uma dívida social enorme para com os pobres e marginalizados. Em grande parte as universidades representam macroaparelhos de reprodução da sociedade discricionária e fábricas formadoras de quadros para o funcionamento do sistema imperante. Mas há de se reconhecer também, não obstante seus limites, o fato de que foi e é um laboratório do pensamento contestário e libertário.

Mas não houve ainda um encontro profundo entre a universidade e a sociedade, fazendo uma aliança entre a inteligência acadêmica e a miséria popular. São mundos que caminham paralelos e não são as extensões universitárias que cobrirão esse fosso. Tem que ocorrer uma verdadeira troca de saberes e de experiências. Ignorante é aquele que imagina ser o povo ignorante. Este sabe muito e descobriu mil formas de viver e sobreviver numa sociedade que lhe é adversa.

Se há algum mérito nos teólogos da libertação (eles existem aqui e pelo mundo afora e Roma não conseguiu exterminá-los) é ter feito este casamento. Por isso não se pode pensar num teólogo da libertação senão metido nos dois mundos, para juntos tentarem gestar uma sociedade mais igualitária que, no dialeto cristão, tenha mais bens do Reino que são justiça, dignidade, direito, solidariedade, compaixão e amor (Leonardo Boff).

Leia mais:
Um desafio à intelligentzia acadêmica


Página 1 de 3612345...102030...Último »