03 fev
Francisco Antônio de Andrade Filho
Aconteceu aos trinta de janeiro de 2009, durante o Fórum Social Mundial em Belém do Pará/Brasil. Ouviu-se um grito de liberdade e uma voz forte dos presentes. Era o grito de emancipação humana da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Enquanto isso, uma multidão de militantes e participantes do Fórum gritavam “Olê, Olê, Olê Olá, Dilmaaaa”. Confirmava a esperança de uma mulher-presidente escolhida pela soberania popular na “Vox Populi, Vox Dei”.
Então, Dilma Roussef pegou o microfone, com voz feminina, recheada de beleza e virtudes, dialoga assim:
Queria dizer a todos vocês, a todas as mulheres, a todas as companheiras, que eu me sinto muito feliz de estar aqui, na tenda dos 50 anos da revolução cubana, que foi um acontecimento que teve um papel histórico na minha geração. Queria saudar minha companheira Ana Júlia. Não é fácil superar preconceitos. Por isso, você, Ana Júlia, você está abrindo o caminho para várias mulheres.
E enfatiza o bom combate de sua experiência de vida em prol da Democracia massacrada pela Ditadura Militar:
Minha militância coincide com o golpe de 64, quando começava uma trajetória, no Brasil, de intolerância, tortura, morte. Este é um processo muito importante, na história do país, porque os militantes que dele participaram saíram não apenas com todas as marcas, algumas físicas: saíram com a certeza da necessidade da construção de uma democracia e da participação [...] Todos aqueles que saíram da luta subterrânea, da clandestinidade, construíram esse momento luminoso da redemocratização. Mudaram, fizeram autocrítica, mas não mudaram de lado.
A esta mulher, dedico um momento de reflexão, de raiz filosófica, sobre a teologia latino-americana de libertação em diálogo com a dos conquistadores, de minha autoria e publicado aqui.
Era a década de 1960. A América Latina tomava consciência de sua dependência econômica, política e religiosa. Desencadeava-se um processo de libertação nos diversos segmentos da sociedade. A Igreja, à luz de suas convicções religiosas, marcada pelos avanços científicos deste tempo, pesquisava uma nova práxis da fé cristã que fosse fator de transformação e libertação. Exigia-se uma nova prática da mensagem do bem em contraposição a do mal. Surgia um novo tipo de inteligência da fé, uma reflexão sobre os compromissos assumidos pelos cristãos em situação de conflitos sociais. Era a teologia latino-americana que nascia vinculada à história da tirania e da opressão praticada em nome democracia neste continente.
De outro, os conquistadores medievais e modernos defendiam o conceito tradicional de teologia como ciência que elabora racionalmente verdades da fé. Procuravam compreendê-las sistematicamente e tirar delas novas conclusões. Camuflavam as realidades da vida. Impunham sua única “sabedoria” racional. Criavam o mesmo deus de uma maneira acadêmica, dentro de uma sala de estudo, de um escritório, de um Palácio Episcopal ou de um Pontífice de Roma, fora de todo compromisso histórico e cientificamente observado. E, nessa postura, permanecem até hoje e sempre restauram quando novos interesses ideológicos sejam necessários para eles.
Em diálogo com essa teologia dos conquistadores de Roma e de alhures, a teologia latino-americana de libertação tem um olhar diferente para este mundo diferente. Nessa época até os nossos dias, ela é reflexão das situações históricas reais. É “ato segundo”. Nasce da prática. A teoria vem depois. O ato primeiro é o agir ético e responsável com os seres humanos, com sua vida, com seus sofrimentos, seu bem-estar econômico e político. A teologia vem depois e é uma reflexão que supõe o ato primeiro de compromisso libertador do homem que é história, broto da natureza e de sua cultura inteligente. Não é discurso vazio, inacreditável, mistificador. Não “des-realiza” as contradições reais da vida. Não aliena o homem com frases fantasmáticas e grandiloquentes do mundo existente.
Assim, a proposta da referida teologia é a de ser um discurso situado na história em que vivemos. As injustiças, a miséria, a falta de respeito para com a riqueza social e as liberdades da coletividade, praticadas pela oligarquia política e religiosa levam a América Latina tomar consciência de seus direitos e deveres. Trata-se de um estudo crítico sobre a reflexão teológica, a partir da práxis da fé cristã. Não é uma coisa inventada pelos teólogos da libertação. Não é um tema metafísico. É uma prática política, de cidadania, cuja alavanca propulsora é sua religião, seja católica, protestante ou não.
Em oposição, a teologia dos conquistadores, antigos e também os da era digital, dá uma explicação espiritual e ideal aos problemas materiais e reais, volatizando sua densidade material, de modo a transformá-las em entidades espirituais “fora da realidade”. Por isso, essa teologia – a dos poderes celestiais -, opera como abstração do mundo e da história, separação frente à realidade, em suma, como fantasmagoria, expressão transcendente, abstrata, da situação existente e dos homens reais.
Em tal contexto, o discurso teológico latino-americano de libertação surge assim como uma teologia de emancipação humana nas condições concretas, históricas e políticas de hoje na América Latina. É uma teologia cuja missão é identificar-se com os homens massacrados e excluídos de todos os benefícios de suas nações. Segundo seus estudiosos e pesquisadores, é a libertação de Cristo se realizando em fatos históricos e políticos libertadores.
Para ler e pensar mais:
ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. Igreja e Ideologias na América Latina, segundo Puebla. São Paulo: Paulinas, 3ª ed, 1982.
BOFF, Leonardo. Teologia do Cativeiro e da Libertação, Petrópolis: Vozes, 2ª ed., 1985.
GUTIÉRREZ, Gustavo. Teologia da libertação. Petrópolis: Vozes, trad. Jorge Soares, 3ª ed., 1976.
26 jan
Marisa Gibson
Seguindo os caminhos do presidente, a ministra da Casa Civil e presidenciável, Dilma Rousseff (PT), aprendeu rápido as primeiras lições e já demonstra muito interesse pelo Nordeste, região que assumiu Lula como um verdadeiro pai. E bastam bons discursos e anúncios de obras, como a refinaria, para que ela possa ocupar o lugar de mãe dos nordestinos. É só uma questão de jeito, no trato com as pessoas. E o primeiro desafio da ministra para superar a vantagem do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) na corrida pela Presidência da República, é justamente mostrar-se simpática, se bem que neste quesito, os dois presidenciáveis estão empates: ambos são sisudos demais. Mas, isso Dilma também está aprendendo rápido. Ela, por exemplo, que sempre foi avessa à imprensa, concedeu, antes de chegar ao Recife, entrevistas a emissoras de rádio, por telefone, referindo-se aos jornalistas pelo nome de cada um, revelando que foi muito bem preparada pelos “media training” palacianos. E para quem fez, recentemente, uma cirurgia plástica no rosto, não podendo se expor ao sol, a ordem de serviço noturna para as obras da casa de força da refinaria, em Suape, foi um esforço pessoal grande, mas que deve ter assegurado alguns votos para que ela seja, quem sabe, a primeira mulher presidente do Brasil. A propósito, a cirurgia da ministra denuncia um cacoete dos marqueteiros de que é preciso falsear a realidade para se ganhar uma eleição. E convencidos de que o brasileiro gosta mesmo é de contos de fadas, embonecaram a ministra, coisa aliás que só as elites têm condição de fazer. Mas a ministra é reconhecidamente competente e é nesse campo que deve se centrar o embate com José Serra, que do ponto de vista político é muito mais sustentável e também carrega a bandeira da competência e da austeridade. Para o tucano, no entanto, o Nordeste é uma região adversa, mas se Dilma, guiada pelas mãos de Lula, Eduardo Campos e João Paulo, pode se consolidar como favorita dos nordestinos, o mesmo pode acontecer com José Serra nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ele tem grande aceitação. É evidente que, no desenrolar da campanha, a condição de mulher vai ser explorada até a exaustão para sensibilizar o eleitorado, sobretudo o feminino, a votar em Dilma Rousseff. Os adversários, portanto, que se preparem. Diário de Pernambuco.
Via Blog da Dilma.
Acesse também: Desabafo Brasil e Blog da Dilma
08 jan
Expressão de Liberdade versus Libertinagem do PIG
Francisco Antônio de Andrade Filho
É possível descobrir a relação entre ética, liberdade e libertinagem na cibercultura dos dias de hoje? Como ela manifesta a conexão do homem e da mulher com sua própria essência, que é a aspiração a liberdade? Seria ética, a postura de indignação e de repulsa dos construtores da Democracia contra a tirania da libertinagem do PIG? Esse Partido cria terror e insegurança em nossa querida Pátria.
Nada tem sido tão discutido na “Aldeia Global”, e de modo polêmico, quanto a relação entre a pluralidade de éticas, das quais não se excluem, nem os valores de liberdade, nem os malefícios da libertinagem nos espaços de comunicação dos Blogs.
Em homenagem ao sucesso do Governo do PRESIDENTE LULA e na forte esperança da DILMA PRESIDENTE 2010, eu crio e reproduzo este momento de meditação, a seguir.
Os blogs criam um novo mundo, um ambiente mental, afetivo e comportamental bem diferente que as gerações passadas: estreitando relacionamento entre pessoas, povos e culturas, fontes de esperanças para todos. É a liberdade de imprensa, poder com ética. Desabafo Brasil. Dilma 13 – Presidente 2010, uma expressão de liberdade, com ética e em diálogo com a “mídia livre e independente”.
De outro, blogs do PIG demotucanos, de modo negativo, atingem a vida do cidadão – a educação em todos os níveis: massificação de uma cultura superficial, violenta, sem ética e imposta pela “mídia”, um novo tempo de perversidade –, a do desrespeito à vida e aos direitos humanos. É a libertinagem do PIG, poder da era digital sem ética. Podres poderes, violentos, mentirosos e nojentos, que atendem apenas aos interesses do mundo econômico: degradação da natureza e aniquilação da vida social – e os interesses da vida humana.
Tanto aqueles quanto esses, devem a liberdade de expressão a essa mulher: Dilma Rousseff.
E com Platão, medito e provoco um debate. Segundo ele, a liberdade num Estado democrático, é “o mais belo de todos os bens”. Como entender, nos dias de hoje, os poderes políticos nacionais e internacionais que, em nome da Democracia, cometem tiranias, massacrando os cidadãos de seu país e de outras nações? E as “tiranias” contra os que “abusam da liberdade”? Como a liberdade poderia levar também à “tirania”? Seria para colocar limites no uso abusivo da mesma liberdade?
Respondo com Baruch de Espinosa (1632-1677) em suas conhecidas obras clássicas intituladas: a Ética (1660) e o Tratado Teológico-Político (1670).
Recordo-me do seu conceito de liberdade como uma expressão ética no plano ético e dos atos, o de que “Deus ou Natureza” (Deus sive Natura) “é causa livre de todas as coisas [...] nos concede um intelecto determinado e uma vontade indeterminada”. Liberdade, aqui, não significa neutralidade face ao erro e ao mal, à falsidade e à falta de solidariedade.
Quando conhecemos “Deus sive Natura” e todas as verdades, somos livres, menos quando falam em nós as paixões, sobretudo a de mando sobre nossos semelhantes.
Podemos ter alguma base para a nossa força livre sem imposição sobre os demais corpos e mentes. Na própria essência divina, existe o alento para a nossa vida. Escreve ele: “basta-nos saber que somos livres e podemos sê-lo; sem oposição alguma que venha do querer divino, que, de outro lado, somos causa do mal” – neste sentido de que nenhum ato poderia ser chamado mal, salvo do ponto de vista de nossa liberdade.
Existe, hoje, o Partido da Imprensa Golpista – PIG, a violência simbólica do poder político. Pior ainda, em nome de uma política minoritária, quer de partidos, quer da imprensa, falada, escrita e virtual, em todas as suas cores; – quer de poderes legislativos e judiciários -, procura expor os membros de um coletivo à conformação de suas palavras aos desejos de mando e de jugo de uns pelos outros.
Infelizmente, nos dias de ontem contra Espinosa, e de hoje, contra outros pensadores críticos e inovadores, aqueles poderes podres encobrem o domínio das mentes e corpos finitos, no dito do filósofo, “transformam homens racionais em animais ou em autômatos”, interessados em troca de favores pessoais.
É o massacre da liberdade humana em troca de prestígio material e de poder na tentativa de destruir a soberania popular – encarnada em LULA -, e na defesa das tribunas do PIG e de alguns setores privilegiados. E tudo isso, nas Tribunas e nas Cortes, “em nome de Deus”. E haja paciência de outros deuses, finitos e autoritários.
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