O Recado da Pesquisa

reflexões filosóficas em diversas áreas

20 set

Bioética e Cidadania: Interface da Filosofia com o Direito [Cibercultura]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Nos dias de hoje (ANDRADE FILHO, 2005: 383-403), questões são colocadas à luz dos atos das ciências e tecnologias. Com eles, o conhecimento do “tempo global” tem priorizado a dimensão tecnológica, em estreita sintonia com as relações de mercado. O saber e o conhecimento no mundo globalizado parecem perder muito de sua função de busca de sentido para a vida, o destino humano e a sociedade – do conhecimento esse não do “sentir e simbolizar” –, para tornar-se “produto comercial de circulação” orientado pelo novo paradigma da aplicabilidade.

Os paradigmas da pós-modernidade, que ensejam rotas previstas para o desenho do futuro humano, estão em crise. Por isso, é cedo ainda afirmar-se a prepotência da globalização em seu progresso de ciência e tecnologia.

É nesse ambiente que a Bioética nasce como um novo domínio da reflexão e da prática, que toma como seu objeto específico as questões humanas na sua dimensão ética, tal como se são formuladas no âmbito da prática clínica, jurídica ou da investigação científica, e como método próprio o conhecimento de diversos modelos bioéticos, articulados dialeticamente com saberes diferentes (método-relação), mas fortemente entrelaçados.

Assim, a Bioética e o Biodireito, hoje, se situam entre as duas formas do conhecimento humano: o saber simbólico e o saber científico. Ganham vitalidade como paradigmas da relação entre as ciências e as tecnologias; do saber científico e do saber simbólico em suas recentes descobertas. A Bioética e o Biodireito cuidam da dignidade da vida, procurando a convergência amistosa entre estes saberes. Vale ressaltar, entre Filosofia e Direito integrados com as ciências e tecnologias.

Nesta trilha de reflexão, Sartori (2001: 48-52) avança progressivamente no desafio da interdisciplinaridade do Direito com a Filosofia. E discute, assim:

“[...] pode-se definir a Ciência Jurídica como ciência normativa que verifica os fatores que determinam expressamente as condutas em normas. Sob essa orientação, a Ciência Jurídica se aproxima da Ética, ou seja, a primeira examina normas jurídicas e a outra, normas morais [...] Seus elementos constitutivos são: ideais de justiça por alcançar, instituições normativas por realizar, ações e reações dos homens frente a esses ideais e instituições [...]

[...] Opondo-se ao Direito positivo, está o Direito Natural que pode ser definido como o pensamento jurídico que concebe a lei (a norma) quando esta esteja de acordo com a justiça. A pretensão do jusnaturalismo é a de conhecer como Direito o que é justo, ou seja, justiça como verdade evidente e demonstrável, dentro de um sistema de valores universais e imutáveis. Decorrente desses preceitos, a função do Direito não é comandar, mas, sim, qualificar as condutas como boas ou más [...]

[...] A velocidade do avanço das ciências da vida e a consequente necessidade de uma nova ética exigem uma resposta do Direito, ou seja, uma criação jurídica para positivar, regular e/ou reconhecer os Novos Direitos. Atualmente , são necessários princípios axiológicos que atendam à produção do conhecimento das últimas décadas do século XX e que se projetem no século XXI [...].”

É nesse ambiente que a Bioética nasce como um novo domínio da reflexão e da prática, que toma como seu objeto específico as questões humanas na sua dimensão ética, tal como se formulam no âmbito da prática clínica, jurídica ou da investigação científica, e como método próprio o conhecimento de diversos modelos bioéticos articulados dialeticamente com saberes diferentes (método-relação), mas fortemente entrelaçados.

Assim, a Bioética e o Biodireito, hoje, se situam entre as duas formas do conhecimento humano: o saber simbólico e o saber científico. Ganham vitalidade como paradigmas da relação entre as ciências e as tecnologias; do saber científico e do saber simbólico em suas recentes descobertas A Bioética e o Biodireito cuidam da dignidade da vida, procurando a convergência amistosa entre estes saberes. Vale ressaltar, entre Filosofia e Direito integrados com as ciências e tecnologias.

Nesta linha de reflexão, Sartori (2001: 48-52) avança progressivamente no desafio da interdisciplinaridade do Direito com a Filosofia. E discute, assim:

“[...] pode-se definir a Ciência Jurídica como ciência normativa que verifica os fatores que determinam expressamente as condutas em normas. Sob essa orientação, a Ciência Jurídica se aproxima da Ética, ou seja, a primeira examina normas jurídicas e a outra, normas morais [...] Seus elementos constitutivos são: ideais de justiça por alcançar, instituições normativas por realizar, ações e reações dos homens frente a esses ideais e instituições [...]

[...] Opondo-se ao Direito positivo, está o Direito Natural que pode ser definido como o pensamento jurídico que concebe a lei (a norma) quando esta esteja de acordo com a justiça. A pretensão do jusnaturalismo é a de conhecer como Direito o que é justo, ou seja, justiça como verdade evidente e demonstrável, dentro de um sistema de valores universais e imutáveis. Decorrente desses preceitos, a função do Direito não é comandar, mas, sim, qualificar as condutas como boas ou más [...]

[...] A velocidade do avanço das ciências da vida e a consequente necessidade de uma nova ética exigem uma resposta do Direito, ou seja, uma criação jurídica para positivar, regular e/ou reconhecer os Novos Direitos. Nos hodiernos, são necessários princípios axiológicos que atendam à produção do conhecimento das últimas décadas do século XX e que se projetem no século XXI”.

Suporte Bibliográfico

ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. “Bioética e cidadania: Interface da Filosofia com o Direito”, capítulo-livro, publicado in: Bioética e Biodireito: uma introdução crítica/Organizador Arthur magno e Silva Guerra – Rio de Janeiro: América Jurídica, 2005: 383-403

SARTORI, Giana Lisa Zanardo. Direito e Bioética: O desafio da interdisciplinaridade. Erechim RS: EDIFAPES, 2001

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14 set

Filosofia da Religião na América Latina – Agência de controle social? [Cibercultura]


por Francisco Antônio de Andrade Filho

por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Foi em 1978, durante a III Conferência do Episcopado Latino-Americano, em Puebla-México. Em 1981, eu defendi minha Dissertação de Mestrado, na Universidade Federal de Minas Gerais sobre Igreja e Ideologias na América Latina. Respondi a questão: o que a Igreja nos propõe como práxis de libertação? Seria a Igreja, uma instituição que funciona como agência de controle social? E justificava a hipótese, segundo a qual ela reflete e dinamiza o impacto político da religião no processo social na América Latina.

Na perspectiva dialética, tanto numa linha antropológico-psicanalítica quanto marxista, a posição da Igreja adquire maior clareza como aparelho ideológico de Estado. Aos olhos de Freud e Marx, a religião cristã estaria sacralizando normas socialmente necessárias, tornando-se condição de baluarte da ordem estabelecida. Ela estaria compromissada com os grupos dominantes.

É que para o pai da psicanálise e para o pai da ciência da história, as religiões sempre foram importantes para as classes dominantes na medida em que reproduzem a ideologia burguesa.

Em Freud, por exemplo, a religião aparece como expressão social de uma ilusão, uma forma de infantilismo, a neurose obsessiva da humanidade. Nasce fundamentalmente de uma recusa, por parte da consciência, em aceitar a “realidade”. É ela um ato de rebelião pelo qual o princípio do prazer nega à realidade seu status de realidade, substituindo-a por um mundo imaginário que realmente represente os impulsos eróticos reprimidos pela civilização, mundo este que passa a funcionar, para a consciência, como realidade.

Rubem Alves, analisando o texto de Sigmund Freud, Totem and Taboo (1912 – 13), discute:

“É em nome da desta exigência que Freud proclama, em O Futuro de Uma Ilusão, que a religião precisa ser destruída, por ela uma ilusão psíquica, criada pela capacidade humana de imaginar um estrado de coisas em que os desejos se realizariam. Por meio dela o homem evita a confrontação com a dura realidade que o resiste. A eliminação da religião seria assim uma tarefa indispensável num programa de “educação para a realidade” – uma educação que levaria o homem a substituir o seu Deus-ilusão pelo Logos científico, pois só assim ele poderá conhecer, dominar e transformar o seu mundo. Freud vê a tarefa de libertação do homem como o exorcismo de uma ilusão, como uma luta no campo psicológico”.

Enquanto isso, em Karl Marx, em A Ideologia Alemã (1845 – 46), religião é o produto de uma sociedade irracional e opressiva, um conjunto de ilusões necessárias para que o homem possa suportar as correntes que o escravizam. “A religião é o suspiro da criatura oprimida”. Para ele, a religião não liberta o homem. É uma falsa consciência, força conservadora, acrítica. É uma forma de alienação. É necessário destruir a ponte religiosa que liga os céus para que se possa construir a terra. Assim, a religiões organizadoras se tornam agências de controle social.

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07 set

Lula em Defesa da Democracia [Recados de Política e Cidadania]


selecionados por Francisco Antônio de Andrade Filho

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04 set

Dia do Profissional de Educação Física: uma homenagem à professora Josélia Santana


por Francisco Antônio de Andrade Filho

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03 set

Seleção de recados de política e cidadania: Dilma no Paraná


por Francisco Antônio de Andrade Filho

por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

Dilma fala sobre qualidade da Educação

“O Brasil agora é o país da oportunidade, mas nós precisamos de profissionais capacitados. E para que possamos dar um salto em direção a um país desenvolvido, nós precisamos de educação. Precisamos ter clareza que a redução da desigualdade também se dá pela ampliação das oportunidades”, afirmou Dilma, sob o olhar atento do presidente Lula, que também participou do encontro com empresários.

“A progressão continuada significa pura e simplesmente que você passa o aluno sem avaliar as necessidades do aluno. Temos de aprofundar as avaliações”, disse Dilma, acrescentando que manterá a política educacional do governo Lula, ampliando os investimentos em escolas técnicas.

“Um dos maiores orgulhos que eu terei de continuar é o ensino profissionalizante. Não viveremos um apagão de mão de obra”.

“Vocês sabem perfeitamente quantas vezes chegamos a acreditar e éramos interrompidos por uma queda na produção e no consumo, e uma crise se alastrava pela economia e pela sociedade. Mas o que esperávamos há muitos anos chegou e de forma estável. E isso nós devemos a uma pessoa: ao presidente Lula, que conduziu o país por uma era de prosperidade.”

Leia Mais: Presidente Dilma

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30 ago

Recado de meditação: Escute Rubem Alves na arte de orar


escolhidos por Francisco Antônio de Andrade Filho

escolhidos por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

“Acontece que eu sei que o que as pessoas desejam, ao procurarem a terapia, é reaprender a esquecida arte de rezar. Claro que elas não sabem disso. Falam sobre outras coisas, dez mil coisas. Não sabem que a alma deseja uma só coisa, cujo nome esqueceu.”

“A terapia é a busca desse nome esquecido. E, quando ele é lembrado e é pronunciado com toda a paixão do corpo e da alma, a esse ato se dá o nome de poesia. A esse ato se pode dar também o nome de oração”.

“Para começar, abra bem os olhos! Veja como este mundo é luminoso e belo! Tão bonito que Nietzsche até mesmo lhe compôs um poema:

Olhei para este mundo – e era como se uma maçã redonda se oferecesse à minha mão, madura dourada maçã de pele de veludo fresco… como se mãos delicadas me trouxessem um santuário, santuário aberto para o deleite de olhos tímidos e adorantes: assim este mundo hoje a mim se ofereceu…”

“Mas isso não é tudo. Além das necessidades vitais básicas a alma precisa de beleza. E a beleza – o mundo a serve a mancheias. Está em todos os lugares, na lua, na rua, nas constelações, nas estações, no mar, no ar, nos rios, nas cachoeiras, na chuva, no cheiro das ervas, na luz que cintila na água crespa das lagoas, nos jardins, nos rostos, nas vozes, nos gostos”.

“Além da beleza estão os prazeres que moram nos olhos, nos ouvidos, no nariz, na boca, na pele. Como no último dia da criação, temos que concordar com o Criador: olhando para o que tinha sido feito, viu que tudo era muito bom”.

“Muitas orações são produtos da insensatez das pessoas. Acham que o universo estaria melhor se Deus ouvisse os seus conselhos. Pedem que Deus lhes dê pássaros engaiolados, muitos pássaros. Nisso protestantes e católicos são iguais. Tagarelam. E não se dão trabalho de ouvir. Não sabem que a oração é só um gemido. ‘Suspiro da criatura oprimida’: haverá definição mais bonita? São palavras de Marx. Suspiro: gemido sem palavras que espera ouvir a música divina, a música que, se ouvida, nos traria alegria”.

Fonte: Alves, Rubem. Transparência da eternidade. Campinas: Verus, 2002. Páginas 53 a 57, passim.

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26 ago

Recado de Meditação: Escute o profeta Amós


selecionado por Francisco Antônio de Andrade Filho

 

“Eu...

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