O Recado da Pesquisa

reflexões filosóficas em diversas áreas


07 abr

Os Três Dias da Semana Santa


Francisco Antônio de Andrade Filho

Ultimamente, a Igreja Católica voltou seus pensamentos para os mistérios do Salvador. É a Semana Santa, iniciada neste Domingo de Ramos. Nela, celebram-se de modo especial, seus três dias. Indiferentemente de denominação religiosa, todos os seguidores de Jesus, filho do casal José e Maria. A escrita sagrada, antiga e nova, a revelar ser Jesus, homem de uma mensagem que nos liberta e nos enche de vida, tal que repercutiu no mundo inteiro, ser Filho de Deus- Homem tão bom, honesto e leal. E fiz uma leitura atenta da Bíblia, dela captando a verdade, anunciada aos amigos da blogosfera aqui; entre outros.

É Quinta-Feira. Vejo 1 Cor. 11, 23 – 26. Refleti e senti a vida. E Deus é Vida. Jesus se fez servidor de todos dando a vida pelos amigos. Dele aprendemos que é próprio do amor eliminar distâncias, ser verdadeiro e leal., humilde e transformador. Anunciar a verdade e combater a mentira da comunicação, da fala em diálogo com o outro. Não tolera a hipocrisia, defende a verdade. E recebemos a mensagem: não se vive sem Deus, não se vence sem amar.

É Sexta-Feira. Agora é Isaias, 52, 13-53 que anuncia o mistério do sofrimento. Por que aconteceu a morte de Jesus? Para ser amor onde há ódio; ser perdão onde há ofensa; ser amizade onde há desencontro; ser verdade onde há erro; ser alívio onde há dor; ser coerência onde há incoerência; ser pai onde há filhos. Ser sinal. Ser presença.

É Sábado. Desta vez, medito a epístola de Paulo aos Romanos: 6:3-11. São páginas de lições que perduram, mesmo reinterpretadas ao longo dos tempos. São mensagens isentas de sectarismo religioso e político, entre outras dimensões humanas. Pois, são palavras paulinas que, embora limitadas, expressam a mensagem divina. Percebi que o Povo de Deus – se caracteriza pela coragem de viver; pela vontade de servir; pelo desejo de reconhecimento, pela alegria da vida de Jesus que nos trouxe tempos felizes e coragem para o bom combate da fé.

E, neste Sábado, de madrugada, Jesus ressuscitou. Ele está vivo. Não está entre os mortos, mas entre os que vivem – vivificando os que o procuram. E me alegrei com isso. O poder de Deus que libertou Jesus da morte, faz brotar em nós uma vida nova eliminando o choro e a dor; o sofrimento e a morte .E as forças do bem e da vida triunfarão para a alegria de todos. Homens e mulheres; terra, ar, água e fogo terão uma nova vida. Todo o Universo canta: a escuridão produzida pelos homens não existirá mais. E veio a luz. E o Reino de Deus se instalou. Ditadura, nunca mais. Perversidade, longe dos filhos de Deus. Demônios, bem distantes.

E agora, amigos e amigas. Onde está Jesus? Vivo ou morto? Onde buscá-lo. Nos crucifixos bonitos, ou nos cristãos feios; no respeito a todos os iguais a Jesus, ou nos preconceitos de raça, cultura e religião? Estaria Ele vivo nos lábios da falsidade e covardia; da mentira e do ódio? Procure-o. Irá encontrá-lo crucificado e triste no irmão que sofre. Vê-lo-á feliz no irmão que irradia alegria. Lá vai Ele…lá vai…Jesus Cristo ressuscitado…Raimundo, José, Nathanael, Daniel; Josélia, Telma, Tânia; todos os homens, mulheres e animais – toda a Natureza -, ressuscitados com Jesus, Maomé, Moisés, Buda, Dalai – Lama, Luther King.

E a Humanidade se emancipou: O homem livre da exploração dos detentores do capitalismo selvagem e da imprensa perversa e golpista A Natureza preservada da ambição do homem em sua ganância de lucro e destruindo a Terra, Água, Ar e Fogo.


01 abr

Espaço Político da CNBB na Ditadura Militar [parte II]


Francisco Antônio de Andrade Filho

Na reflexão anterior, meditamos a postura de adesão da CNBB ao golpe militar de 1964. Cardeais, Arcebispos, Bispos e Padres concelebraram a “Missa de Ação de Graças” pela vitória da revolução armada sem derramamento de sangue. O mesmo sacrifício foi executado por milhares de capelães militares nos templos sagrados dos quartéis em todo país.

Esse episódio traduz o papel político, social e econômico, que aquela organização católica tem na sociedade brasileira. Percebe-se nele, o caráter dialético do processo. As metamorfoses da Igreja Católica no Brasil têm uma dimensão mais global. O processo político, por si só, não as explicam, nem apenas seus interesses institucionais. A necessidade de auto-reprodução, aliada às novas condições econômicas, políticas e sociais, produz apreensão dessas tensões contraditórias no Brasil.

A CNBB define, em termos de doutrina social da Igreja, as características e condições, o sentido e a importância da sua presença e atuação na “vida política ditatorial” do golpe de 64. É de seu desejo “ler o político a partir do Evangelho e não o contrário”. Interessa a esta instituição eclesiástica, aquela política em seu sentido mais amplo que visa o bem comum, que promove os valores fundamentais de toda comunidade. É o que ela registra em seus documentos oficiais:

“Conjunto de ações pelas quais os homens buscam uma forma de convivência entre indivíduos, grupos, nações, que ofereça condições para a realização do bem comum… valores éticos da liberdade, da participação”.

Esse pensamento político da Igreja Católica, herdado de sua tradição, entre em conflito ao afirmar que sua tarefa “não é de ordem política, econômica ou social… é de ordem religiosa, evangelizadora e de natureza eminentemente pastoral”. Mas, ela própria se contradiz, quando pensa e age assim “de nenhum modo a conduz a se omitir a respeito de problemas sócio-políticos do país (que) sempre apresentam uma relevante dimensão ética das decisões políticas”.

Deste modo, a CNBB vive nessas tensões. De um lado, não interessa à Igreja intrometer-se em partidos políticos. Assume uma missão crítica, de denúncia à violência política daqueles que contrariam os projetos divinos. No entanto, de novo, cai em contradição, quando sustenta em participar da \república Militar. Sente como seu dever e direito estar presente neste campo da realidade ditatorial do golpe militar. Pois, os Bispos Católicos do Brasil argumentam nestes termos:

“A fé cristã não despreza a atividade política; [...] pelo contrário, a valoriza e a tem em alta estima… O cristianismo deve evangelizar a totalidade da existência humana, inclusive a dimensão política”.

Estudos e pesquisas descobrem as contradições da CNBB na chamada Revolução Militar de 31 de Março de 1964. O pensamento político dessa organização é produto das mesmas contradições do projeto de desenvolvimento capitalista dependente, do mesmo trabalho econômico de industrialização associado ao capital estrangeiro. Suas idéias, produzidas nesse tempo, não foram reveladas por Deus, nem milagres de Nossa Senhora Aparecida. Foram determinadas pela totalidade da sociedade brasileira, fruto do trabalho humano. Nesse passado de 45 anos, s transformação capitalista teve lugar graças ao acordo entre a classe burguesa – nesta incluindo a Igreja e a exclusão das forças populares -, e de intervenção econômica do Estado.

Veja também: Missa de Ação de Graças Pelo Golpe Militar de 1964 [parte I]


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