Os Três Dias da Semana Santa
Francisco Antônio de Andrade Filho
Ultimamente, a Igreja Católica voltou seus pensamentos para os mistérios do Salvador. É a Semana Santa, iniciada neste Domingo de Ramos. Nela, celebram-se de modo especial, seus três dias. Indiferentemente de denominação religiosa, todos os seguidores de Jesus, filho do casal José e Maria. A escrita sagrada, antiga e nova, a revelar ser Jesus, homem de uma mensagem que nos liberta e nos enche de vida, tal que repercutiu no mundo inteiro, ser Filho de Deus- Homem tão bom, honesto e leal. E fiz uma leitura atenta da Bíblia, dela captando a verdade, anunciada aos amigos da blogosfera aqui; entre outros.
É Quinta-Feira. Vejo 1 Cor. 11, 23 – 26. Refleti e senti a vida. E Deus é Vida. Jesus se fez servidor de todos dando a vida pelos amigos. Dele aprendemos que é próprio do amor eliminar distâncias, ser verdadeiro e leal., humilde e transformador. Anunciar a verdade e combater a mentira da comunicação, da fala em diálogo com o outro. Não tolera a hipocrisia, defende a verdade. E recebemos a mensagem: não se vive sem Deus, não se vence sem amar.
É Sexta-Feira. Agora é Isaias, 52, 13-53 que anuncia o mistério do sofrimento. Por que aconteceu a morte de Jesus? Para ser amor onde há ódio; ser perdão onde há ofensa; ser amizade onde há desencontro; ser verdade onde há erro; ser alívio onde há dor; ser coerência onde há incoerência; ser pai onde há filhos. Ser sinal. Ser presença.
É Sábado. Desta vez, medito a epístola de Paulo aos Romanos: 6:3-11. São páginas de lições que perduram, mesmo reinterpretadas ao longo dos tempos. São mensagens isentas de sectarismo religioso e político, entre outras dimensões humanas. Pois, são palavras paulinas que, embora limitadas, expressam a mensagem divina. Percebi que o Povo de Deus – se caracteriza pela coragem de viver; pela vontade de servir; pelo desejo de reconhecimento, pela alegria da vida de Jesus que nos trouxe tempos felizes e coragem para o bom combate da fé.
E, neste Sábado, de madrugada, Jesus ressuscitou. Ele está vivo. Não está entre os mortos, mas entre os que vivem – vivificando os que o procuram. E me alegrei com isso. O poder de Deus que libertou Jesus da morte, faz brotar em nós uma vida nova eliminando o choro e a dor; o sofrimento e a morte .E as forças do bem e da vida triunfarão para a alegria de todos. Homens e mulheres; terra, ar, água e fogo terão uma nova vida. Todo o Universo canta: a escuridão produzida pelos homens não existirá mais. E veio a luz. E o Reino de Deus se instalou. Ditadura, nunca mais. Perversidade, longe dos filhos de Deus. Demônios, bem distantes.
E agora, amigos e amigas. Onde está Jesus? Vivo ou morto? Onde buscá-lo. Nos crucifixos bonitos, ou nos cristãos feios; no respeito a todos os iguais a Jesus, ou nos preconceitos de raça, cultura e religião? Estaria Ele vivo nos lábios da falsidade e covardia; da mentira e do ódio? Procure-o. Irá encontrá-lo crucificado e triste no irmão que sofre. Vê-lo-á feliz no irmão que irradia alegria. Lá vai Ele…lá vai…Jesus Cristo ressuscitado…Raimundo, José, Nathanael, Daniel; Josélia, Telma, Tânia; todos os homens, mulheres e animais – toda a Natureza -, ressuscitados com Jesus, Maomé, Moisés, Buda, Dalai – Lama, Luther King.
E a Humanidade se emancipou: O homem livre da exploração dos detentores do capitalismo selvagem e da imprensa perversa e golpista A Natureza preservada da ambição do homem em sua ganância de lucro e destruindo a Terra, Água, Ar e Fogo.
Veja também:
Existe um brilhante texto escrito por Charles Chapin que aparece em seu filme ”O grande ditador, o ultimo discurso” . Que nós possibilita compreeder melhor o poder do capitalismo frente a humanidade e que ilustra com clareza a mensagem passada pelo professor Francisco nesta reflexão o qual gostaria de compartinhar com os amigos do recado.
O ÚLTIMO DISCURSO
POR Charles Chaplin
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens… levantou no mundo as muralhas do ódio… e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem… um apelo à fraternidade universal… à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora… milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas… vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia… da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá”.
Soldados! Não vos entregueis a esses brutais… que vos desprezam… que vos escravizam… que arregimentam as vossas vidas… que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos!
Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela… de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo… um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!
A GRANDE PROVA: UMA REFLEXÃO DA ETICA POR DETRAIS DA RELIGIÃO
Ao ler a reflexão denominada ‘‘Os três dias da semana santa’’. A qual nós remete a natureza perversa dos homens e sua ambição desenfreada pelo capital, fruto do sistema capitalista. Acabei sendo levado a uma reflexão da ética existente por detrais da religião e como é possível ver nela resquícios de uma saída para a humanidade. E para tanto me pautarei numa passagem recomendada pela igreja para os dias da semana santa a qual pode ser encontrada na bíblia no livro do Gênesis, a qual nós revela o poder da fé humana diante do poder.
Existem varias passagens na bíblia às quais no remetem a uma ética que supera qualquer outra no sentido moral e pratico uma passagem que nós mostra isto com mais clareza e a do gênesis 22,1-19 aonde Deus põem Abraão a prova pedindo que este ofereça seu filho único Isaac em sacrifício como prova de sua fidelidade e lealdade ao projeto divino.
Não a duvidas que para Abraão a escolha entre seu filho único e a prova de sua fidelidade e temor a Deus se tornam conflituosas, pois vão de modo contrario a tudo o que Deus lhe havia prometido ‘‘Gênesis 12,1-19’’:
Javé disse a Abrão: “Saia de sua terra, do meio de seus parentes e da casa de seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei; tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma bênção. Abençoarei os que abençoarem você e amaldiçoarei aqueles que o amaldiçoarem. Em você, todas as famílias da terra serão abençoadas”.
Quando do alto Abraão houve uma voz ‘‘Abraão, Abraão’’ e prontamente responde ‘‘Estou aqui ’’ e a voz lhe diz: ‘‘Tome seu filho único Isaac, a quem você ama, vá à terra de Moriá e ofereça-o ai em holocausto, sobre uma montanha que vou lhe mostrar’’. Tudo lhe parece conflituoso, pois depois de tanto sofrimento e pesar teria que sacrificar seu único filho o mesmo que Deus lhe havia abençoado a ter aos seus cem anos quando só lhe restara à esperança, o mesmo menino que Deus havia lhe dito que faria uma aliança e o abençoaria com descendência perpetua: ‘‘Mas, a minha aliança, vou fazê-la com Isaac, o filho que Sara vai dar à luz no próximo ano, nesta mesma época do ano (Gênesis 17,21-22). ‘‘
Como Abraão poderia confiar naquela voz que do alto lhe negava tudo o que Deus lhe havia prometido, porque Deus lhe daria a graça de ter um filho ao, cem anos, lhe prometeria aliança e depois pediria seu filho em sacrifício, não seria mais fácil acreditar que aquela voz que escutará fosse à voz do mal lhe pondo a prova. Pois tudo aquilo que Deus lhe ensinará ia de modo oposto com o que pedirá.
Mesmo assim Abraão toma seu filho nós braços e vai à montanha confiando em Deus e em sua providência quando seu filho pergunta ‘‘ Aqui estão o fogo e a lenha. Mas onde está o cordeiro para o holocausto?’’. Abraão lhe responde ‘‘Deus providenciará o cordeiro para o holocausto, meu filho!’’. O que para Abraão isto significará senão que sua fé era tanta em Deus que este sabia que mesmo não conhecendo se a morte de seu filho era a vontade divina ou se a voz que ouvira era a do senhor, Deus não lhe faltaria e iria providenciar a justiça por sua fé e lealdade.
Portanto a certeza de Abraão está pautada em sua fé e não na lógica que o levava a pensar que poderia estar sendo enganado pelo mal. Sua ética era conduzida por algo maior, por valores mais nobres que os terrenos ou os subjetivos. Abraão pensou não em si, mas no todo e somente quanto pensarmos como ele é que podermos nós livrar do sistema de nós oprime e alcançarmos as graças do outro mundo.
Acretito em Deus e achei certa a decisão de abraao o mundo presisa de fé e não de medo.
Adorei o comentario acretito em Deus o mundo presisa de fé e não de guerra.