A Perda da Subjetividade Humana ao Longo da História
André Antoninho Führ
Li com atenção, o artigo “Missa de Ação de Graças Pelo Golpe Militar de 1964 – Parte I“. Escrito por Francisco Antônio de Andrade Filho em http://www.orecado.org tomei a decisão de refletir sobre a história e sobre a perda da subjetividade humana ao longo da história haja visto que o golpe militar representou um dos maiores marcos da perda do individualismo e da sujeição do individuo aos interesses privados.
Não se pode negar, a história não é o que nela está escrito. Não existem borrachas ou panos capazes de limpar o sangue derramado ou silêncio daqueles, em cujo cálice escorria. Porém, para se compreender, faz necessário ir as suas raízes mais profundas; e ao que me parece, essas só podem ser encontradas na natureza do jogo político.
Segundo Hegel, é no cristianismo que encontramos a primeira visão de individualismo e de liberdade subjetiva, a primeira vista nós parece um tanto contraditório, pois a democrática ou o chamado governo do povo nasce na Grécia quando os cidadãos se reúnem em praça publica para debaterem os interesses da polis. Porém se olharmos mais a fundo veremos as contradições existentes no próprio sistema.
De um lado, é preciso levar em conta que, nem todos eram considerados cidadãos. Apenas uma pequena parte da polis, ou seja, o governo do povo pertencia a uma pequena camada. Enquanto isso, a grande massa responsável pela manutenção do Estado, era excluída das decisões do próprio governo que ajudava a manter com sua força física.
Além disso, as decisões – tomadas em praça publica pelos cidadãos-, não constituem a vontade subjetiva do individuo e sim a vontade coletiva, ou seja, o individuo abre mão de sua subjetividade em favor do coletivo. Podemos ver com mais clareza a perda da subjetividade humana na filosofia Aristotélica onde a vida dos cidadãos estava voltada para a cidade suas escolhas e decisões deviam levar sempre em conta o interesse da comunidade até a escolha da profissão se pautava pelo bem estar da comunidade.
Com o nascimento do cristianismo, a subjetividade humana começa a se contrapor ao bem estar do estado. Pois, as ações do sujeito não visam mais o coletivo e sim o seu próprio bem; pois para ele, cada pessoa é responsável por seus atos e por sua própria salvação. Não existe mais a visão coletiva, mas sim a subjetiva. Todos os indivíduos são iguais diante de Deus. A pirâmide de classes cai por terra.
Os romanos ao perceberem os perigos dessa nova concepção para os interesses do estado resolveram introduzir um novo sistema a propriedade privada cada cidadão pode ser dono dos bens que assim conseguir adquirir com sua força.Porém mais uma vez devemos nós perguntar a quem o titulo de cidadão era atribuído e a quem era possível alcançar o titulo de proprietário. Mais uma vez o individuo perde a sua subjetividade se tornando vitima do capital.
Mais tarde, fundamentado nessas raízes, surge o capitalismo como forma de manter o equilíbrio e de proporcionar essa suposta liberdade aos indivíduos, quando os indivíduos percebem que na verdade o capitalismo os aprisionou e retirou de vez a sua subjetividade surge um movimento de libertação que mais tarde comina no comunismo.
Veja também:
- A história da escola
- O Programa “Fome Zero” e a Exploração da Solidariedade Humana
- Natureza Humana e Sua Relação com o Estado em Maquiavel [parte I]
- Dilma 2010 – Por um novo caminho de emancipação humana na República do Brasil
- Diário de leitura: a condição humana em seus limites
Penso que um dos valores intrinsecos do ser humano é sua subjetividade,
perém estamos´perdendo-a para o dito moderno-globalizado.
cOMO IREMOS RECUPERA-LA?
zILENE/UNIMONTES M.CLAROS-MG
Verdade, Zilene Maia. De modo geral, a subjetividade não é egoismo, mas o “EU”. Neste sentido, escrevi o resultado de uma das minhas meditações diárias e, a pedido da Direção do GEAP – Aracaju, passei para meus colegas de Aeróbica. Nestes termos:
Meditação 2 – JESUS ORA POR SI MESMO E PELOS SEUS.
Jesus falou estas coisas. Depois, olhou para o céu e disse: ”Pai, chegou a hora: glorifica teu filho, para que teu filho te glorifique[...] Rogo por eles: não rogo pelo mundo, mas pelos que me deste, porque são teus; tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu. É assim que sou glorificado neles (Jô. 17, 1; 9).
Antes de partir para junto do Pai, Jesus reza por todos nós e o Evangelho de João registra essa oração. Jesus inicia esta oração rezando por si mesmo, uma vez que ele sabe que o sofrimento está chegando e que deve estar preparado para isso.Em seguida, Jesus diz ao Pai que cumpriu a missão aqui na terra, de modo que o Nome de Deus foi manifestado aos homens sendo que sua mensagem foi acolhida. Todos viram nele como Jesus de Nazaré, filho do casal José e Maria. Sua humanidade revelava-se tão divina que seus fiéis e o próprio Jesus, aceitaram ser o enviado do Pai na unidade do Espírito Santo. Em seguida, rezar por todos os que creram em suas palavras.
Essa, a espiritualidade bíblica, centrada na mensagem de Jesus. Testemunha João ao escrever seu Evangelho. Jesus rogou ao Pai, primeiro para se mesmo; depois orou por todos os que creram em suas palavras. O Filho de Deus penou nele e nos outros. Ele amou a si mesmo e ao seu próximo, seus discípulos. Esse, o significado profundo da espiritualidade.
Outros líderes espirituais, alinhados não apenas a religiões; mas também, de cunho filosófico ou de outras áreas científicas; todos confirmam a mesma necessidade da dimensão espiritual do ser humano. É a integridade humana que está em jogo. Ademais, toda Natureza é a maior expressão dessa verdade.
Para exemplificar, eis as sábias palavras de dois mensageiros espirituais que, a exemplo de Jesus, anunciaram:
Luiz Antônio Gasparetto fala: “Se eu me amo, estou preenchido.” “Se me considero, me sinto preenchido.” “Se me aceito, me sinto preenchido.”
Enquanto isso, Dalai-Lama escreve o que pratica, nestes termos: “A essência de toda vida espiritual é a emoção que existe dentro de você, é a sua atitude para com os outros. Se a sua motivação é pura e sincera, todo resto vem por si. Você pode desenvolver essa atitude correta para com seus semelhantes baseando-se na bondade, no amor, no respeito, sobretudo na clara percepção da singularidade de cada ser humano.
Aracaju, 08 de junho de 2009.
Francisco Antônio de Andrade Filho.