O Recado da Pesquisa

reflexões filosóficas em diversas áreas

05 abr

Análise crítica do livro ‘Pedagogia Afetiva’, de Maria Augusta Sanches Rossini


Semíramis Alencar

“Quando eu era menino, os mais velhos perguntavam:
O que você quer ser quando crescer?
Hoje não perguntam mais.
Se perguntassem, eu diria que quero ser menino.”
[Fernando Sabino, escritor mineiro]

A vida em sociedade compreende ser uma vida pautada em direitos e deveres, bens de consumo, gratificações e êxito profissional culminando sempre em dinheiro. A posição social depende do que o indivíduo é, e o que ele pode ofertar à comunidade em que vive. Assim, é natimorta a ingenuidade, o sentimento e o carinho por parte das escolas e da família.

Partindo do processo de exclusão que segrega, desde o descobrimento, em índios, colonos e escravos, para a atual sociedade em que observamos o rico, o pobre e o miserável, convivendo nos mesmos parâmetros de desigualdade do inicio da colonização, a educação apresenta mais uma de suas teorias que pode ser o início de uma conscientização interior no seio da grande família brasileira: A pedagogia afetiva.

O que é a pedagogia afetiva? É a teoria de enternecimento das relações escola-família-sociedade transformando e formando as crianças em indivíduos sensíveis, conscientes, solidários, enfim, indivíduos preocupados com o social e bem estruturados emocionalmente, pois receberam da família e da escola tanto cultura quanto afetividade; atenção e respeito, fundamentos básicos para a mudança basilar da sociedade.

Sendo um componente importante do equilíbrio e da harmonia da personalidade, a afetividade domina a atividade pessoal, tanto instintivamente quanto nas percepções, na memorização, no pensamento, no desejo e na sensibilidade corporal devendo se dar por meio do trabalho com limites, do resgate dos mitos do cotidiano e do desenvolvimento do indivíduo em seus aspectos físicos, cognitivos e psíquicos. Uma criança bem estimulada afetivamente, ao chegar a vida adulta, terá uma capacidade maior de conviver com as fases negativas da vida com determinação e autoconfiança.

Nas mudanças que atravessa a sociedade, de forma cada vez mais complexa e acelerada, quando se faz necessário a absorção de quantidades maiores de informações, a afetividade chega quase a sucumbir. Os filhos desta geração desde o nascimento são entregues a babás, creches e babás eletrônicas (a televisão, o vídeo game, a internet) que mantém e entretém a criança escondida no lar, refugiada dos males da humanidade, enquanto seus progenitores garantem a estabilidade financeira e econômica da família.

A segurança que eles provêem é necessária. Todavia, também é preciso a sua presença, com seus carinhos e punições, com brincadeiras e repreensões; do limite com suave doçura aos jogos de bola do domingo.

É necessário também observar que esta afetividade também deve partir da escola. Não o pieguismo característico do professor que encobre sua incapacidade com palavras carinhosas e gestos inconseqüentes, mas o professor que é mestre e que de fato mostra o caminho: o caminho da justiça, do dever, do conhecimento e da lealdade aos ideais e aos amigos. A escola que educa verdadeiramente preza por cuidar de cada educando como se fosse um filho seu orientando, analisando seus pontos fracos, ouvindo seus dilemas ou suas pequenas curiosidades. É a escola participante da família do educando.

A criança é um ser social. Ao recebê-la na porta da escola, recebe-se também toda a gama de impressões, informações e assimilações bem vivenciadas ou não, bem elaboradas ou não. Como todo ser social, ela também se interessa pelo mundo que a cerca, todavia se depara não só com os aspectos positivos da vida, mas com os negativos: violência, tráfico de drogas, a banalização do amor, a exploração da figura feminina, o consumismo compulsivo entre tantos outros fatores que causam nas crianças uma curiosidade natural além do medo, do espanto, encanto e identificação.

Todos os indivíduos se baseiam em modelos. Entretanto há os modelos bons e os modelos ruins: os modelos são buscados nos momentos em que o indivíduo, em qualquer fase de seu desenvolvimento, se sente curioso ou depressivo. Portanto, a família e a escola devem estar atentas e em sintonia a quaisquer sinais diferentes de comportamento. As mudanças na maneira de agir muitas vezes são um pedido ajuda, que as crianças (e adolescentes) não conseguem expressar claramente, pois não têm domínio sobre suas ações e sentimentos mal canalizados. Na ausência de educadores firmes e equilibrados, as crianças e os jovens procurarão outros modelos com que se identificar, os modelos ruins.

A aprendizagem, como qualquer coisa da vida do ser humano, deve ser prazerosa, deve ser algo que estimule o ser em desenvolvimento a querer aprender sempre mais e com maiores detalhes. Quando a criança é estimulada com carinho e atenção para os estudos, incentivada pelos pais a realizarem as tarefas de casa, a freqüentarem a escola fazendo dela uma continuação de seu lar e na escola; os professores e funcionários promovem um ambiente de confiança, fraternidade e de comunicação, a criança corresponde positivamente: ela aprenderá os conteúdos com maior embasamento e naturalmente se desenvolverá tornando-se um adulto feliz, consciente e saudoso de sua infância que passará os mesmos valores às gerações futuras.

BIBLIOGRAFIA
ROSSINI, Maria Augusta Sanches. Pedagogia Afetiva. Petrópolis, Ed. Vozes, 3ª edição, 2001.

 

Veja também:

  1. Resumo Crítico do livro ‘Pedagogia da Autonomia’, de Paulo Freire
  2. Para quê pedagogia?
  3. Diário de Leitura: por uma ética profissional e afetiva
  4. A Importância de brincar
  5. Marx – Crítica das Ideologias Políticas

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9 Comentários para “Análise crítica do livro ‘Pedagogia Afetiva’, de Maria Augusta Sanches Rossini”

  1. Por Lidia de Mendonça Sodre em 12 jul 2008 | Comente

    Preciso fazse uma monografia para conclusão de pos graduação. Escolhi o tema Pedagogia Afetiva .
    Gostaria que me ajudase a encontrar matereial
    Desde já agradeço.

    Atenciosamente.
    Lídia Sodre

  2. Por Aldecy em 20 ago 2008 | Comente

    Muito bom esse comentário do livro Pedagogia afetiva com certeza é o que precisamos como profissionais e educadores colocar em prática no dia a dia, fazendo dos nossos alunos futuros cidadãos equilibrados e conscientes.

  3. Por Sivina Elias em 4 out 2008 | Comente

    Estou procurando materiais para uma monografia que trata do desenvolimento da cça que vive em instituições, uma das hipóteses e provar através de pesquisa que a pedagogia da afetividade pode ser um instrumento pedagógico que poderá ajudar essa categoria, que não é pouca, que sofre com violencias de todo tipo principalmente os de origem emocional.

  4. Por rosangela da cruz marcollino barreto bomfim em 25 ago 2009 | Comente

    Preciso fazer uma monografia para conclusão da graduação em Pedagogia. Escolhi o tema : Pedagogia afetiva e as relações na escola.
    Gostaria que me ajudasse a encontrar material para a construção da mesma ,tendo em vista nunca ter feito uma antes.
    Desde já agradeço.

    Atenciosamente.
    Rosangela da Cruz M.B.Bomfim

  5. Por wanessa menegassi em 18 mar 2010 | Comente

    ola por favor preciso de ajuda para encontrar material para o meu tcc
    na escolha de tema eu escolhe a pedagogia afetiva na ed. infantil, se possivel me ajude a encontrar material que possa me auxiliar no meu tcc. oberigada

  6. Por Simone em 28 mar 2010 | Comente

    Fico pensando em como utilizar a pedagogia afetiva com crianças que chegam à escola com a visão de que ela é obrigada a estar lá. Muitos jovens encontram fora da instituição escolar mais informação e mais afetividade (de seu grupo de amigos) do que dentro dela, onde há limites rígidos impostos pela direção. Tenho visto muitos professores lutando isoladamente contra diretores que dizem para que eles não se esforcem muito porque outro professor, que não quer trabalhar tanto, já está reclamando de tanta eficiência… Entendo que a pedagogia afetiva deva ser incorporada como parte da formação inicial do professor e também da formação continuada para que eles vivam e trabalhem afetivamente com seus pares também.

  7. Por Nubia Aragão em 22 set 2011 | Comente

    Bom dia, sou pedagoga e estou preparando para o meu TCC, gostei do Tema Pedagogia Afetiva ,gostaria da ajuda de todos para recolher material para o meu TCC, se poder mi ajuda,
    Obrigada Nubia

  8. Por rosangela guirro neves em 11 jan 2012 | Comente

    boa noite, estou no ultimo periodo do curso de pedagogia e pretendo fazer minha monografia com o tema da afetividade na educaçao infantil, e gostaria de indicaçoes de materiais para este trabalho. Obrigada pela atençao e aguardo contato.

  9. Por Rosangela e Marciana em 6 fev 2012 | Comente

    ola boa noite estamos formulando o nosso tcc, pois estamos concluindo o curso de pedagogia, e o tema escolhido é pedagogia hospitalar. achamos interessante incluirmos algo sobre pedagogia afetiva, gostaríamos da opinião de alguém que tenha conhecimento prático nesta área.
    sera que alguém pode nus ajudar?
    por favor contribua com a gente.

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